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18/03/2007

Arquitecto Gonçalo Byrne [3]


Gonçalo Byrne (Urgeiriça, 1941) é um dos protagonistas do extraordinário período que a arquitetura portuguesa atravessa. No trabalho de Byrne combinam-se os traços mais característicos de uma cultura de projeto que soube aprender com as experiências contemporâneas, sem trair as condições locais. Desde o início, Byrne manteve intensos contatos com as experiências realizadas na Europa, nomeadamente em Itália e em Inglaterra. A sua primeira obra importante, o conjunto residencial de Chelas, em Lisboa (1972-74), despertou o espírito e a abertura cosmopolita. Não menos importante se revela o bairro de Casal das Figueiras, construído no âmbirto das iniciativas SAAL, que se desenvolveram após 1974 com o objetivo de dar resposta à procura urgente de habitações com baixo custo. A partir de meados de 70 a carreira de Byrne desenvolve-se numa direção que parece não ter ainda alcançado o seu limite, como é possível verificar pelas obras que se apresentam. As encomendas tornaram-se cada vez mais importantes; tal como as obras iniciadas em Portugal para dotar o país de infra-estruturas e serviços à dimensão das nações européias mais evoluídas, que se tornam cada vez mais ambiciosas. Atento às implicações urbanas de seus projetos, e preocupado em conseguir com que cada construção sua seja o resultado do diálogo e da interpretação dos contextos históricos e paisagísticos destinados a recebê-la, Byrne possui uma linguagem formal rigorosa e simples, que é desprovida de ostentação e satisfaz da melhor maneira as suas refinadas técnicas compositivas.
Capaz de imaginar pequenas boîtes à miracles, ou de dar vida a exercícios de grande simplicidade e elegância - veja-se, por exemplo, a agência bancária de Arraiolos (1982-92), consegue dar prova da mesma sensibilidade assumindo projetos de grande escala, como por exemplo o projeto de concurso para o Centro Cultural de Belém em Lisboa (1988). Gonçalo Byrne é um modelo para a nova cultura arquitetônica européia e para todos que se obstinam em encarar o projeto como um complexo e arriscado exercício, capaz de proteger a arquitetura das tentações unitárias que a invadem com crescente insistência.

Gonçalo Byrne. Obras e ProjectosCoordenação e introdução Antonio Angelillo. Ensaio de Ignasi de Solà-MoralesEditorial Blau, Lisboa, 199822 x 28 cm - 196 p - ilustrado, cor ISBN 972-8311-15-X
http://www.vitruvius.com.br/

Projectos de Requalificação,consolidação e valorização na Região Centro(Coimbra _ Guarda _ Viseu)

1999-Projecto de Remodelação e Ampliação do Museu Nacional Machado de Castro
Coimbra
, Portugal
É tão desesperante quanto fascinante ver desfilar mais de dois mil anos de história concentrados num conjunto urbano-arquitectónico onde se é chamado a intervir projectualmente.

1999-Plano de Pormenor da Cava de Viriato e áreas envolventes
Viseu, Portugal
O Plano de Pormenor da Cava de Viriato e Áreas Envolventes, congrega num só instrumento, vários Planos já delimitados no PDM de Viseu, gravitando em torno de uma estrutura defensiva de origem historicamente indeterminada que desenha através de um sistema de fosso e de talude uma figura octogonal com um perímetro de 2100 metros e uma area inscrita de cerca de 33 hectares.


2004-Pousada de S. Teotónio - Viseu
O antigo Hospital de S. Teotónio da Santa Casa da Misericórdia em Viseu será recuperado e adaptado às funções de Pousada de Portugal

2006-Castelo de Trancoso - Projecto de Consolidação e Valorização
Trancoso, Portugal
A intervenção visa requalificar e dinamizar o espaço do Castelo de Trancoso (cerca de 960 d.C.) classificado Monumento Nacional, designadamente a criação de acessibilidades, de atendimento, espaços com carácter multifuncional e infra-estruturas de apoio a visitantes e funcionários.

http://www.byrnearq.com/

08/03/2007

Nuno M. Cardoso

Entrevista do encenador e actor Nuno M. Cardoso
ao Jornal Canas de Senhorim

[...] JCS - Como pensa poder edu­car-se os gostos do público em ma­téria de teatro?
N. C. - Nunca se deve educar nin­guém: acho que é um perigo pensar assim. Podemos provocar, seguir, criticar, mas nunca ter e presunção de educar. O Peter Brook costuma dizer que isto do público é como cultivar trigo, atiram-se as semen­tes, espera-se que algumas cresçam , e reza-se por bom tempo.
JCS - O que pensa da acção dos pequenos grupos de teatro amador que existem um pouco por todo o país?
N. C. - Não conheço bem essa realidade.
JCS - O que significa para si, hoje, Canas de Senhorim?
N. C. - Canas de Senhorim é a minha terra.
O sítio de onde venho e para onde vou. Não me vejo enterrado senão ali frente ao campo da Rapo­seira. São os meus pais, a quem eu devo tudo, a Família. O Paço, o Ros­sio, a Urgeiriça e o Casal. É o café do Sr. Ilídio às quatro esquinas
.
É onde volto sempre e donde nunca saí.

in Jornal Canas de Senhorim, 27 de Fev de 2007

Sobre o trabalho de NMC em Othello ...

[Shakespeare chamou-lhe Othello, mas a mais fascinante personagem do texto foi sempre Iago, o manipulador genial, o "demónio do Ocidente" na formulação de Harold Bloom, que considera que "entre todos os vilões da literatura, ele tem a honra nefasta de ocupar uma posição inatingível". Em Otelo, actualmente em cena no São João, é mais uma vez sobre Iago que se concentra o principal interesse e o principal terror. O que não se explica apenas pelo texto, mas também pelo desempenho de Nuno Cardoso, que compõe um Iago visceral e insidioso que arrebata a peça desde a primeira fala. A ajudar a este domínio - intelectual acima de tudo, pois Iago não tem verdadeiros adversários - está a encenação, que opta pelo despojamento e por figurinos atemporais. Percebe-se a ideia de Nuno M. Cardoso quando refere Otelo como um "ringue frio, da palavra", mas a opção pelo mínimo resulta quando emergem grandes intérpretes, e neste caso emerge apenas Nuno Cardoso - e o seu diabólico Iago.] in recortar.blogspot.com

03/03/2007

Arquitecto Gonçalo Byrne [2]



Entrevista ao Arquitecto Gonçalo Byrne

[…] Embora tenha feito o liceu na cidade, nasci num sítio lindíssimo na Beira Alta, chamado Urgeiriça. Conhece?
CM _Não, não conheço.

Tinha umas minas, já estão fechadas há anos. Mas de certe­za que conhece um sítio, onde fiz a escola primária, chama­do Canas de Senhorim. E Urgeiriça, a dois quilómetros, ti­nha umas minas de Urânio. Nós não sabemos, mas Portugal é dos países com maior riqueza de urânio da Europa ociden­tal. Tirando vento e a água, é o único combustível energéti­co que temos à fartazana. E que não podemos usar porque somos um país não nuclear! Mas compramos a electricida­de à França e Espanha, produzida em centrais nucleares.
Torre de Controlo Marítimo, Lisboa_Arq. G.Byrne_

CM_De que maneira o facto de ter crescido no meio da natureza in­fluenciou a sua arquitectura?

Ainda hoje tenho um fascínio pela natureza. A paisagem da Beira Alta é muito sólida, muito fascinante. O Outono na Beira Alta é espectacular. Por outro lado, este contacto com as minas, (o meu pai era engenheiro de minas, eu visitava minas com ele, especialmente na adolescência) sempre me fascinou porque as minas são uma espécie de arquitectura invertida. As minas são feitas à custa de escavações. E isto cria espaços. Nós, na arqui­tectura, estamos a pensar que os edifícios são feitos construin­do. Paredes, tectos. Mas também podem ser feitos espaços, escavando. Subtraindo. Uma coisa que digo aos meus alunos é que o grande perigo é pensar que só se deve juntar coisas. Se não houver a capacidade de perceber que não é só juntar, tam­bém é preciso subtrair coisas, criamos um monstro.

in Correio da Manhã 10/Fev/o7 Revista Domingo_ Entrevista de Cláudia Melo

A transformação de um logradouro num espaço mágico: Edifício de habitação na Marina de Lagos. Autoria do Arquitecto Gonçalo Byrne.

www.byrnearq.com/

16/01/2007

"salvador de vidas"

Grandes Portugueses _ Aristides de Sousa Mendes

... mas foi em Bordéus que a história prendeu Sousa Mendes nas suas garras. O seu destino passou a estar inelutavelmente ligado ao destino colectivo de dezenas de milhares de pessoas desaparecidas. Assumiu-se como homem certo no lugar e momento certos. Aquilo que muitos poderiam considerar como defeitos de personalidade num diplomata - a natureza demasiado emotiva e o seu carácter impulsivo - tornaram-se força motora de um heroísmo.
Sacrificou tudo quanto amava e presava - uma família, uma carreira - por estranhos de quem se apiedou associando ao seu honroso desempenho a espiritualidade e dignidade humana então raras, mas que, afinal, caracterizam o povo português. Numa altura em que pairava a rebeldia pelo mundo, Sousa Mendes não só era um digno diplomata como também se desenhava como o modelo do português crítico, o representante ideal da nação que todos gostaríamos que Portugal sempre fosse.
As suas atitudes tinham o cheiro do perfume cuja marca a lei portuguesa só viria a reconhecer tardiamente. Ainda assim, aos olhos dos poucos que um dia ouviram falar de Sousa Mendes, a mais viva recordação que resta deste "salvador de vidas" português é a punição desumana que lhe foi atribuida:
Salazar e seus discípulos condenaram-no à "pena de um ano de inactividade" com direito apenas a "metade do vencimento da categoria", tendo sido colocado "na disponibilidade aguardando aposentação", situação da qual só viria a se livrar com a morte, mais de 13 anos depois.
Ainda que nada dissipe o sofrimento de um conjunto de acusações e processos fundados numa ideologia retrógrada e desumana, e a humilhação de uma sentença cheia de vícios, feita a rogo das leis de uma ditadura nacional, nada explica que obra de tão grande valor e prestígio seja comprada a tão barato preço.
Aristides de Sousa Mendes, natural de Cabanas de Viriato, foi redescoberto pela escritora "canense" Júlia Nery que sobre ele escreveu o livro "O Cônsul".O Cônsul (Publicações D. Quixote, Lisboa, 1991; Edição do Círculo de Leitores, Lisboa, 1993; tradução francesa, editora Le Mascaret, Bordéus, 1992; tradução alemã, Editora Epoca, Zurique 1997; Editora Pipper, Munique, 1999)
Angelina, mulher de Aristides de Sousa Mendes é natural da nossa vizinha Beijós

11/01/2007

Nuno M. Cardoso "em cena" no Porto

TNSJ e "O Cão Danado e Companhia" revisitam William Shakespeare
Otelo depois da verdade_O Teatro Nacional São João, no Porto, abre o ano de 2007 com «Otelo» e as incomunicações humanas. Nuno M. Cardoso assina a encenação, numa leitura contemporânea sobre “a necessidade de dizer e perguntar a verdade”. Uma provocação a frio, em cena até dia 21.
Ana Sofia Rosado

Nuno M Cardoso

É um "Otelo" da manipulação, da mentira e do engano carreados para os tempos modernos a peça que hoje estreia no Porto, no Teatro Nacional de S. João. Numa encenação de Nuno M. Cardoso, a tragédia que William Shakespeare escreveu por volta de 1603 dá início à temporada de 2007 daquela sala de espectáculos e fica em cena até ao dia 21 deste mês.O próprio encenador caracteriza a peça como "uma cisterna profunda, onde se mergulham as emoções e os dramas humanos". Ou como um "ringue frio" em que a luta é a da comunicação e a da distorção, em que à "inteligência de quem conduz" se opõe "a paixão de quem é levado". Porque, na verdade, é de paixão e de traição que trata "Othello", que o público britânico viu pela primeira vez no Whitehall Palace de Londres, corria o ano de 1604.Passado todo este tempo, a temática mantém-se actual, embora menos dissimulada do que em Shakespeare no palco do S. João vão estar questões como o racismo, a opressão, a discriminação e a luta pelo poder. Entre os actores, destaque para o regresso de Nuno Cardoso, que até há bem pouco tempo esteve à frente da direcção artística do Teatro Carlos Alberto. Agora na veste de actor, Cardoso interpreta o ardiloso Iago, responsável por toda a trama que há-de levar à morte da personagem que dá nome a esta tragédia.Também em palco vão estar Ângelo Torres (no papel de Otelo), Rita Loureiro (Desdémona), Daniel Pinto (Cássio), Sara Barbosa (Emília) e Carlos António (Rodrigo, Ludovico). Todos juntos para contar a história moderna do herói negro que casou em segredo com a veneziana Desdémona e se viu traído por Iago, o tal venenoso que vai conduzir as personagens à destruição. O cenário é claustrofóbico e remete para a ideia de ilha - Shakespeare coloca a acção em Chipre, onde Otelo devia combater os turcos.Num total de dez récitas, "Otelo" é uma co-produção O Cão Danado e Companhia/Teatro Nacional de S. João. Para ver de terça a sábado às 21.30 horas e aos domingos às 16.
in JN

03/12/2006

Aires dos Santos

Aires dos Santos - Vista da Rua Arq. Keil do Amaral

Está patente na Qtª da Boiça em Canas de Senhorim, uma exposição de pintura do artista canense Aires dos Santos. A mostra, a 200ª exposição na carreira do pintor autodidacta(detentor de vários prémios), reúne 22 obras inéditas, baseadas em recolhas do património português e recantos por onde o artista tem passado.
créditos www. jn.pt

02/12/2006

Arquitecto Gonçalo Byrne


O Arquitecto Gonçalo Byrne, natural da Urgeiriça , residiu muitos anos em Canas de Senhorim , onde passou toda a infância e fez a Escola Primária. É autor de uma vasta obra, várias vezes premiada a nível nacional e internacional. A sua produção tem mostrado particular relevo nos planos patrimonial e cultural.Professor catedrático, convidado em Portugal e no estrangeiro, recebe em 2005 o título Honoris Causa pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, e é condecorado pelo Presidente da Républica com a Grande Ordem de Santiago da Espada. Da sua obra, diversificada em termos de escala, de tema e de programa, destacam-se como exemplo a recente intervenção no Mosteiro de Alcobaça e área envolvente, o edifício da Sede do Governo da Província do Brabant Flamengo em Lovaina, Bélgica, a Torre de Controle de Tráfego Marítimo da APL em Lisboa, Quarteirão da Império no Chiado, Teatro de Faro, no Algarve, e o Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra.
Farmácia da Santa Casa da Misericórdia de Viseu, 2002

Gonçalo Byrne_Projecto Vila Utopia _ Carnaxide


GONÇALO BYRNEGeografias Vivas - Exposição no CCB
24 de Novembro de 2006 a 25 de Fevereiro de 2007

Exposição baseada na participação de Gonçalo Byrne na VI Bienal Internacional de Arquitectura de São Paulo, em 2005, dedicada ao tema “Viver na Cidade, Arquitectura, Realidade e Utopia”.

créditos:

http://www.vozdasbeiras.com/forum/message.asp?IdMsg=341&idForum=1

http://www.ccb.pt/ccb/

http://www.byrnearq.com/

Informações sobre a O Arquitecto Gonçalo Byrne e o Eng. Byrne podem ser enviadas para mun.cds@gmail.com

16/11/2006

Leonor Keil do Amaral


Nascida em Lisboa em 1973, vive em Canas de Senhorim, neta do Arquitecto Francisco Keil do Amaral. Inicia a sua formação na Escola de Dança do Maputo em Moçambique que completa no Conservatório Nacional em Lisboa. Bailarina premiada no Festival Internacional de Bagnolet (96) e galardoada com o prémio Ribeiro da Fonte (98), do Ministério da Cultura. Leonor Keil sempre se destaca, onde quer que se apresente, devido ao seu inconfundível estilo e qualidade de movimento, é, actualmente, uma das mais interessantes bailarinas no panorama da dança portuguesa. Leonor Keil é, desde 1995, intérprete regular da Companhia Paulo Ribeiro, e desde 2003, a responsável da companhia pelo desenvolvimento dos projectos pedagógicos e espectáculos destinados ao público escolar.

in revista da dança

14/11/2006

Francisco Keil do Amaral - Fotógrafo

Bustelo, c. 1956/58Prova gelatina e prata 50 x 40 cm

Porto, c.1956/58Prova gelatina e prata 50 x 40 cm

Linhares da Beira, c. 1956/58Prova gelatina e prata 50 x 40 cm


Porto, c. 1956/58Prova gelatina e prata 50 x 40 cm


fotos de Keil do Amaral in

http://fundacao-plmj.com/index.php

Arquitectura Portuguesa
Arq. Francisco Keil do Amaral

Como é que num país marcado por um regime castrador e limitador de acção, onde uma ideia de casa portuguesa tenta ser o suporte arquitectónico de um regime ditatorial, aparecem personagens que são como que um grito de revolta e de chamada de atenção para questões tão actuais como a liberdade, o bem-estar, o funcionalismo humano dos espaços? Este será a ideia chave de um percurso na arquitectura de Keil do Amaral, mas não só, de alguém que tinha uma visão diferente das coisas, e que manteve-se no seu rumo, fez o seu percurso de uma forma sólida, interessante e acima de tudo coerente. Além de ser uma lição de arquitectura, quer no aspecto teórico e prático, é antes de mais uma lição de vida, uma lição de humanismo e da arte de se preocupar com o bem estar e felicidade da população do Portugal amordaçado em particular, mas também da condição de humanos e de um espírito de humanidade em geral...
Textos de : Arq. Pedro Gomes e Arq. Pedro da Silveira

13/11/2006

Obras do Arquitecto Keil do Amaral

As últimas importantes obras efectuadas no corpo da Igreja são da década de 60 do séc XX. Executadas segundo o projecto do Arquitecto Keil do Amaral

A Igreja de S. Salvador de Canas de Senhorim, imóvel de interesse público, é um dos mais notáveis monumentos religiosos da Diocese de Viseu. Situada no amplo largo da Igreja a deslado das nobres casa da família Abreu Madeira, a sua fundação remontará ao séc. XII. Do primitivo edifício nada hoje resta, sendo o actual, inteiramente, obra do séc. XVIII dos reinados de D. João V e de D. José. Velha abadia do padroado do Cabido da Sé de Viseu, rendia em 1321, no tempo de EI -Rei D.Diniz 80 libras (...).
No interior do templo, surpreende a amplidão e luminosidade do corpo da nave, recoberto pela grande abóbada de madeira de castanho, formada por 112 caixotões (7x16), com florões dourados na intercessão dos frisos. Projectada pelo Arquitecto Francisco Keil do Amaral, autor do risco de outras obras na Igreja(…).
Aos lados do arco cruzeiro, os dois retábulos de talha dourada de Nossa Senhora de Fátima e de S. Salvador (outrora da Senhora do Rosário e de S. Pedro) obedecem ao mesmo risco (...)".

Por Alexandre Alves
Notas e Docs para uma monografia da Vila de Canas de Senhorim e seu termo
Revista Beira Alta Vol. LIV, 3 e 4

11/11/2006

Obras do Arq. Keil do Amaral[II]

Mercado de Canas de Senhorim
"Risco" modernista do Arquitecto Francisco Keil do Amaral

Rua Cândido dos Reis (hoje Rua do Comércio) anos 6o
Ao fundo, a robusta arcada do mercado e as esferas de granito

08/11/2006

Obras do Arquitecto Keil do Amaral





Fachada da Antiga Farmácia Reis Pinto

Largo do Pelourinho _ Canas de Senhorim

" Risco " Modernista do Arquitecto Francisco Keil do Amaral

06/11/2006

Arq. Francisco Keil de Amaral [III]

Porto,1956Prova gelatina e prata 50 x 40 cm


(Local não identificado), c.1956/58Prova gelatina e prata 50 x 40 cm

Porto, c. 1956/58Prova gelatina e prata 50 x 40 cm

FRANCISCO KEIL DO AMARAL 1910_1975
Formado pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, é reconhecidocomo uma importante figura da arquitectura portuguesa. Durante váriosanos, desempenhou funções na Câmara Municipal de Lisboa, dedicando-se sobretudo à criação e renovação de parques verdes e jardins. Destacou-se não só como autor mas também como divulgador, publicando inúmeros artigos e monografias e lançando as bases do Inquérito à ArquitecturaRegional Portuguesa, iniciado em 1955. Foi neste âmbito que aprofundou o seu interesse pela fotografia, acompanhando muitos outros arquitectos no levantamento das práticas arquitectónicas do país, que culminou no livro Arquitectura Popular em Portugal (Sindicato dos Arquitectos, Lisboa,1961-62), com dois volumes, um dos quais reproduz, na capa, uma imagem sua. Em 1989, no âmbito da exposição «Keil do Amaral: O Arquitecto e oHumanista», realizada no Museu da Cidade, em Lisboa, mostra-se parteda sua obra no campo fotográfico. Porém. esta permanece, até hoje, pouco conhecida, dado que nenhuma exposição ou edição de carácter monográfico ensaiou o seu estudo.

Sabugal, c.1956/58Prova gelatina e prata 50 x 40 cm

http://fundacao-plmj.com/index.php

05/11/2006

Maria Keil

Mª Keil _ A Ilustradora na Biblioteca Nacional

Chico e Maria Keil – a família Keil e os amigos

(..) Maria Keil acompanhou o arquitecto Keil do Amaral toda a vida, desde que casaram muito novos e viajaram juntos, começando por uma permanência em Paris quando Chico Keil ganhou o Concurso para o Pavilhão de Portugal da Exposição Universal de Paris, de 1937O casal Keil e o filho Pitum (Francisco Keil do Amaral, mais tarde arquitecto como o pai) criavam um ambiente descontraído mas motivador, sempre com um grande sentido de humor (óptimo antídoto ao ambiente salazarento da época...) e constantes «trouvailles» que revelavam um espírito crítico mas tolerante, mesmo para quem não compartilhava as mesmas ideias.

A casa de Chico e Maria Keil, que era também o local de trabalho de ambos, conseguia simultaneamente conservar a intimidade de um lugar doméstico e abrir-se aos visitantes. A harmonia do casal, apoiada num contraste de feitios e talentos, criava uma atmosfera de sociabilidade civilizada e de boa disposição que distinguia, e ainda hoje distingue, a família Keil.

De acordo com os ritmos de então, as férias grandes eram a altura propícia para prolongar o convívio com os amigos, havendo tempo e disponibilidade para promover as mais diversas iniciativas.

Nesse período, gente normalmente «séria e respeitável» encontrava tempo e vontade para se divertir, dando livre curso à imaginação. Para além dos anfitriões contavam-se entre os amigos, alguns deles residentes em Canas de Senhorim, o poeta José Gomes Ferreira, o músico Fernandes Lopes Graça e o matemático Bento de Jesus Caraça, cada um deles rivalizando em ideias e iniciativas divertidas. Mas ninguém conseguia ultrapassar as de Chico e Maria Keil, que desafiavam toda a gente, umas vezes para serões de gala com recurso às velhas vestimentas dos baús, outras para excursões às termas para tomar banho de «bolhinhas», ou passar um dia à pesca no Mondego, inventando novas receitas culinárias, etc, etc.

Não será possível esquecer o afecto e a atenção, não isenta de pedagogia, que Maria Keil dedicava ao filho, Pitum, desafiando-o para novas brincadeiras de que eu também beneficiava como seu companheiro.

Na Páscoa, por exemplo, organizavam-se passeios ao campo à procura dos «tradicionais» ovos que, surpreendentemente, eram encontrados debaixo das moitas, decorados com várias cores, que o casal Keil tinha encontrado tempo para pintar e esconder, para alegria dos miúdos.(...)

Raúl Hestnes Ferreira
_in Biblioteca Nacional_ Mª Keil "A Ilustradora"

http://purl.pt/708/1/index.html

03/11/2006

Arq. Francisco Keil do Amaral [II]

A arquitectura doméstica em Keil do Amaral
Casa de Canas de Senhorim

Implantada numa quinta, numa zona marcadamente rural, no interior de Portugal, perto da sua casa de família, a casa de Canas de Senhorim assume-se como um volume compacto amando da terra, onde a rudeza do granito tem particular destaque. Desenhada bem dentro do conceito da arquitectura do "português suave", esta habitação unifamiliar datada de 1944, desenhada ainda nos primeiros anos da sua vida profissional, deixa antever desde já algumas das preocupações que Keil do Amaral explora e desenvolve no desenrolar da sua obra e vida. Se por um lado a ligação ao lugar, a sua implantação e relação com a envolvente se destacam como uma preocupação intrínseca desta obra, essa ligação é enfatizada tornando-se tanto mais forte e notada devido à utilização do granito - pedra da região - sem qualquer tipo de revestimento, o que ajuda a conferir-lhe essa ideia de massa compacta. A preocupação com o detalhe, o desenho minucioso e o cuidado em que todas as partes constituintes da obra - desde o telhado até ao desenho do terreno que a envolve - se transformem num todo coerente e uno, revelam essa atitude de pensar a obra arquitectónica como um todo, onde todas as partes têm o seu espaço e a sua influência, sem nunca penetrarem a esfera reservada a outra parte sob pena de deitar a baixo toda esta atitude projectual. Desenvolvendo-se sobre um rectângulo, esta casa de 2 pisos, das quais se destaca um alpendre que alberga a entrada e funciona como espaço de transição entre o interior e o exterior bem ao jeito wrightiano, mas também numa clara alusão às influências exercidas pela arquitectura popular portuguesa da região que Keil do Amaral conhece e da qual é um admirador crítico. Neste âmbito podemos encontrar nesta obra todos os aspectos defendidos por Raul Lino no que diz respeito à ideia de uma arquitectura nacionalista e que revela uma adaptação dos ideais da arquitectura denominada de "português suave" como sendo o beirado, a janela bem definida, a portada de madeira com corações recortados, o trabalho e motivos do ferro forjado que protege as varandas, o uso de material construtivo autóctone, etc., patentes num contexto de uma atitude crítica em relação à arquitectura popular, e aos seus elementos. Mas a ligação à ideia de nação e de unidade nacional que também revela essa mesquinhez que foi definidora do conceito de "português suave" também está presente na colocação de diversas esferas armilares que conferem à habitação a ideia de estar inserida na ideia de pátria defendida pelo Estado Novo. Talvez o único elemento exterior que sobressai desta aparente calma com que Keil do Amaral parece aceitar o espírito do "português suave" na arquitectura tenha a ver com um conjunto de janelas verticais, colocadas timidamente nas traseiras da casa, que rasgam o alçado numa clara alusão à ideia de janela de Corbusier (livre e rasgando o alçado) e que no seu conjunto quase parecem formar um brise-soleil tão usado pelos modernistas internacionais. Ao nível interior salienta-se que a organização da casa é efectuada através de um espaço distributivo (vulgo hall) que assume um pé direito duplo, de ligação entre os dois pisos da habitação. No térreo estão localizadas as actividades relacionadas com as funções sociais e de serviços e no superior a zona íntima da casa. No entanto, se a sala se abre para a paisagem e para a envolvente através de uma série de portas que ligam a referida zona social com o exterior funcionando o alpendre como espaço de transição, já os quartos e as zonas de serviço têm uma relação com o exterior muito mais controlada e recatada ajudando ao claro assumir desta separação entre estes dois pólos de vivência de uma habitação. O cuidado desenho do telhado e a chaminé de forte presença (mais uma influência de Frank Lloyd Wright) ajudam a dar à casa a tal ideia de uma coisa compacta e una que se nota nesta construção. De realçar também uma construção anexa, que seria a casa dos caseiros que tomariam conta da propriedade, que está suficientemente longe da casa mãe para não a influenciar, mas ao mesmo tempo, suficientemente perto para ser influenciada pelo traço adoptado na habitação principal, estando presente, à sua escala a tal ideia de janelas verticais que se assemelha a um brise-soleil corbusiana, o telhado bem lançado, o granito como material constituinte, etc., em suma o mesmo espírito num mesmo programa mas numa escala muito mais reduzida. Estas duas construções fazem lembrar, e relacionam-se claramente com o espírito "português suave" na medida em que nos transportam para o universo das bem desenhadas e conhecidas escolas primárias, casas do guarda, etc., obras que marcaram e se identificaram com o Estado Novo e a ideia de regime que assolava o país de então.
Textos de : Arq. Pedro Gomes e Arq. Pedro da Silveira

Arq. Francisco Keil de Amaral [I]

Francisco Caetano Keil Coelho do Amaral nasceu em Lisboa a 28 de Abril de 1910. Filho de "boas" famílias, passa a infância em Canas de Senhorim (à excepção de dois curtos períodos passados em Luanda devido aos cargos exercido por seu pai), no solar da família paterna, participando na vida da sociedade local que, desde logo, o faz desenvolver uma vivência de forte raiz tradicional beirã que o influencia decisivamente na formação da sua personalidade, cimentando um profundo amor à terra, expressando um portuguesismo que reclamava uma raiz latina e mediterrânea que não mais deixará de proclamar. Depois da 2ª estadia em Luanda, Keil do Amaral e sua família radicam-se em Lisboa a partir de 1921. Faz o liceu em Lisboa e no ano lectivo de 1929/30 ingressa na Escola de Belas Artes de Lisboa. Devido a divergências entre o próprio e alguns dos seus professores da escola, e fruto de um processo disciplinar, pede a anulação de matrícula no seu 2º ano. Irradiado da escola, ingressa no atelier do arquitecto Carlos Ramos. Afirma que foi com este arquitecto que aprendeu a "amar a Arquitectura; a procurar servi-la e aos fins que ela serve, em vez de servir-se dela". Em 1934 é aprovado como aluno externo no Curso Geral de Arquitectura da ESBAL e em 1936 obtém o diploma de arquitecto com a classificação de 17 valores. Em 1936, concorre e ganha o concurso para o Pavilhão Português da Feira Internacional de Paris de 1937, sendo que isto representa uma entrada fulgurante na carreira de arquitecto. Em Paris conhece novas realidades, fazendo várias incursões pelos países vizinhos e também conhece o arquitecto holandês Dudok, com quem aprende a "planificar e a construir para o bem-estar e felicidade do homem comum". Regressa a Lisboa, ingressando nos quadros da Câmara Municipal de Lisboa, cujo presidente à época era o Eng. Duarte Pacheco, colaborando nas obras de urbanização e expansão de Lisboa. Apesar ocupar um modesto lugar na hierarquia da Câmara de Lisboa, Duarte Pacheco, que necessitava de gente nova e dinâmica para concretizar os seus planos, desde logo confia-lhe 3 importantes projectos, todos eles de enorme impacto urbanístico e ambiental - as estruturas de apoio do Parque Florestal de Monsanto; a remodelação e novas estruturas de equipamento para o parque Eduardo VII, incluindo Estufa Fria e um projecto nunca realizado para o alto do parque que seria o Palácio da Cidade; e ainda novos equipamentos e arruamentos para modernizar a Alameda do Campo Grande.
Textos de : Arq. Pedro Gomes e Arq. Pedro da Silveira
Arquitectura Portuguesa

26/10/2006

Rua Arquitecto Francisco Keil do Amaral

Solares da Rua Arquitecto Francisco Keil do Amaral _ Canas de Senhorim

Quem foi Francisco Keil do Amaral ?
Que obras nos deixou?

Sabia, que a Escola Preparatória Fortunato de Almeida de Canas de Senhorim passou a chamar-se Francisco Keil do Amaral após o 25 de Abril, por vontade do povo desta Vila?

23/07/2006

Padre Ilídio

Ilídio Leandro é novo bispo de Viseu a partir de domingo
O padre Ilídio Pinto Leandro é ordenado bispo domingo, assumindo de imediato a diocese de Viseu, em substituição de D. António Marto, actualmente responsável pela diocese de Leiria-Fátima. D. António Marto presidirá à ordenação episcopal, marcada para as 16:30, na Sé de Viseu. Ilídio Pinto Leandro nasceu em Pindelo dos Milagres, no concelho de S. Pedro do Sul, a 14 de Dezembro de 1950. Após ter concluído o Curso de Teologia no Seminário Maior de Viseu, foi ordenado sacerdote em 25 de Dezembro de 1973. (...)Foi em Canas de Senhorim que Ilídio Leandro ganhou maior protagonismo, ao ser nomeado mediador com a Presidência de República no diferendo da elevação daquela freguesia a concelho.
A freguesia de Canas de Senhorim, onde foi pároco entre 1998 e 2005, luta há décadas por ser elevada a concelho, separando-se de Nelas.
Em Novembro de 2004, e depois de os populares de Canas de Senhorim terem insultado o então Presidente da República, Jorge Sampaio, considerando-o responsável pela não criação do novo concelho, o padre foi nomeado mediador nas conversações com a Presidência da República.
D. António Marto, que escolheu Ilídio Leandro para seu sucessor, referiu a 10 de Junho, dia do anúncio da nomeação do novo bispo, que este desempenhou, "com toda a dedicação, ministérios delicados".
"A diocese não fica órfã, pois é confiada a um pastor generoso e promissor", considerou.
Agência LUSA

03/07/2006

Ela é... Ana Isabel [I]

Ela é...
linda, inteligente, licenciada em Psicologia, a Manequim Portuguesa mais internacional e como não podia deixar de ser...uma adepta da nossa causa!
Trabalhou com o Pintor Julião Sarmento e pode ser "vista" em revistas como a 'Wallpaper', 'Elle', 'Madame Figaro' , 'Alegra', 'Amica' ou 'Cosmopolitan'.
Ela é...
Uma adepta moderada da causa de Canas de Senhorim,ainda freguesia de Asnelas com pretensões a sede de Concelho. Filha de um serralheiro das Minas da Urgeiriça, Ana Isabel nasceu no Porto, mas cresceu na Beira Alta, a sul de Mangualde. Volta com frequência a Canas, onde os pais , ambos reformados, ainda vivem, e diz que são essas viagens o que lhe dá a noção da sua pequenez. "Quanto à reinvindicação de vir a tornar-se sede de concelho, acho justo. Mas também é verdade que não vivo lá a tempo inteiro e, portanto, não sou a pessoa ideal para me pronunciar sobre isso..."

Ana Isabel " A Psicóloga e o Divã"
Entrevista de Joel Neto e fotos de Luís de Barros in Revista NS,
publicada nos jornais DN e JN de 1 de Julho de 20006