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06/06/2006

Projecto de Lei_ Bloco de Esquerda [I]

PROJECTO DE LEI N.o 114/IX
CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO DE CANAS DE SENHORIM
Exposição de motivos
1 - Síntese histórico-cultural
Canas de Senhorim foi sede de concelho durante mais de 300 anos, até 1867. Recebeu foral de D. Sancho I, em 1196, ficando encoutada em benefício pessoal do bispo de Viseu. Em 1514 recebe o segundo foral, assinado por D. Manuel II, passando a reger-se como concelho de propriedade da Cqroa, não inteiramente livre apenas porque obrigada ao Cabido de Viseu em pagamentos de pão, vinho e linho. Tinha a sua Câmara, cujo edifício se localizava na praça do pelourinho, o seu juiz ordinário e dos órfãos e o seu próprio corpo de funcionários.
Na primeira metade do século XIX produzem-se diversas alterações administrativas no concelho de Canas, que se traduziram em crescimento territorial por agregação de novas freguesias e incremento demográfico assinalável. Extinto em 1852, volta a ser sede de um concelho com área ainda superior, pela reforma de 1866. A revolução conhecida pela «Janeirinha» acaba por determinar a sua extinção em 1873, apesar das lutas que a população de Canas travou pela sua manutenção, só dominada pelo recurso à força das armas.
(...)
Nestes termos, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda apresentam o seguinte projecto de lei:
Artigo 1.0 (Criação)
criado o município de Canas de Senhorim, com sede na vila de Canas de Senhorim, integrado no distrito de Viseu.
Artigo 2.° (Constituição e delimitação)
1 - O município de Canas de Senhorim é constituído pelas actuais
freguesias de Aguieira, Canas de Senhorim e Lapa do Lobo.
2 - A delimitação do município de Canas de Senhorim assume o perímetro composto pelos limites administrativos não comuns das freguesias do número anterior, conforme indicado em mapa anexo.
Artigo 3.° (Transferência de direitos e obrigações)
São transferidos do município de Nelas para o município agora criado, na área respectiva, todos os direitos e obrigações que lhe correspondam.
Artigo 4.° (Relatório)
O Governo deverá promover a elaboração do relatório previsto pelo artigo 7.°, n.o 2, da Lei nº 142/85, de 18 de Novembro, para instrução do processo de criação do município de Canas de Senhorim.
Artigo 5.° (Comissão instaladora)
A comissão instaladora do município de Canas de Senhorim será composta por um presidente e por oito vogais, e exercerá as competências previstas pela Lei n. ° 48/99, de 16 de Junho.
Artigo 6.° (Eleições)
As eleições para os órgãos do município de Canas de Senhorim e das freguesias que o constituem, realizar-se-ão num prazo máximo de 180 dias, após a publicação do presente diploma.
Assembleia da República, 11 de Julho de 2002. - Os Deputados do BE: Luís Fazenda - Francisco Louçã - João Teixeira Lopes.

05/06/2006

30 Julho 1982

A 30 de Julho de 1982 o projecto de lei do CDS não foi votado na Assembleia da República por falta de quórum. A 2 de Agosto de 1982, a população de Canas concentrou-se junto à estação dos Correios para não deixar sair a correspondência e exigir um código postal próprio. Constatando as pessoas que a correspondência tinha sido retirada antecipadamente, o edifício foi tomado pela população. De forma espontânea decidiram de seguida ir cortar a linha de caminho de ferro. Como salienta o articulista do JN, esta medida tinha um grande impacte devido ao facto de a linha ser internacional e servir como ponto de passagem de muitos emigrantes. Foram retirados mais de 100 metros de carris. Entretanto, a Guarda Nacional Republicana (GNR), aproveitando o facto dos populares estarem concentrados na linha férrea, tinha ocupado o edifício dos CTT. Tocou a sirene e o povo voltou aos Correios. A GNR utilizou a força, resultando 5 feridos entre os populares e alguns guardas feridos sem gravidade. A população retomou o edifício, ficando de piquete. Quando os populares voltaram à linha depararam com a presença do Corpo de Intervenção da GNR. Foi estabelecido um acordo com o comandante da GNR. A polícia não intervinha e as pessoas permaneciam na linha.
No dia seguinte, após reunião com autoridades no Governo Civil de Viseu, o Movimento, em plenário popular, decidiu levantar o bloqueio. Foi também decidido observar, a partir de então, o 2 de Agosto como símbolo do futuro concelho de Canas, contra o feriado municipal de Nelas que se celebra a 24 de Junho (JN, 4 de Agosto de 1982).
José Manuel de Oliveira Mendes
Uma localidade da Beira em protesto: memória, populismo e democracia

01/06/2006

Projecto de Lei PCP [1]

Projecto de Lei nº 327/IX
Criação do Município de Canas de Senhorim

Exposição de Motivos
1 - Aspectos históricos e culturais
Antes da Monarquia, a região de Canas foi Centro da Civilização Romana, como o demonstram alguns vestígios históricos. Durante a conquista Árabe e a reconquista Cristã, as lutas obrigaram as populações a fixar-se longo tempo no Casal (bairro mais antigo de Canas), local que permitia a sua defesa.
Em 1196, por foral assinado pelo Rei D. Sancho I, Canas foi incultada em benefício pessoal do Bispo de Viseu, D. João Pires. Por esta declaração, ficou Canas desintegrada das Terras de Senhorim, assim se explicando o determinativo “Senhorim” ao nome de Canas.
Com o segundo foral concedido em 1514 por D. Manuel I, Canas de Senhorim passou para Concelho pertencente à Coroa e apenas sujeita ao cabido de Viseu pelo pagamento de oitavos de pão, vinho e linho. Esta situação manteve-se por mais de 300 anos e em meados do Século XIX, aquando das invasões Francesas, acompanhadas de períodos de agitação, este concelho foi também fustigado por instabilidades, isto no reinado de D. Miguel.
Em 1820, foi criada nova organização administrativa, que juntou a Canas o Concelho de Aguieira, que já desde 1527 abrangia Moreira.
Em 1852, os antigos Concelhos de Aguieira, Canas, Folhadal e Senhorim, fundem-se, dando origem do Concelho de Asnelas.
Em 1857, com a nova divisão do país em distritos, Canas volta a ser sede de Concelho, com a maior área de sempre. Beijós, Cabanas de Viriato e Oliveira do Conde faziam parte da sua área até 1873, ano em que, com o movimento revolucionário da “Janeirinha”, Asnelas passou a ser sede do Concelho, ficando então Canas de Senhorim sede de freguesia até aos dias de hoje.
[...]
Nestes termos, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP apresentam o seguinte Projecto de Lei:
Artigo 1ºCriação
É criado o Município de Canas de Senhorim no distrito de Viseu, com sede na Vila de Canas de Senhorim.

30/05/2006

Projecto de lei PSD[I]


PROJECTO DE LEI N.º 44/
IX CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO DE CANAS DE SENHORIM

«Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amen. Reconhecem todos os homens que tenham ouvido ler esta carta que eu, Dom Sancho, Rei dos Portugueses por graça de Deus com a minha única esposa, Rainha D. Dulce, e com os meus filhos, Rei D. Afonso e Rainha D. Teresa e Rainha D. Sancha, instituímo-vos a carta de couto (garantia), sendo Bispo de Viseu D. João. Garantimos (estipulamos), pois nos marcos (pedras) erguidos para sinal de couto ratificamos esta vossa propriedade que designamos Canas (...)»Foi com estas palavras que, já em 1186, o Rei D. Sancho I inicia a Carta de Couto com que fez a doação da vila de Canas de Senhorim a D. João Pires, Bispo de Viseu, que, por sua vez, a havia comprado a Soeiro Formariz e a Pedro Heriz.Será esta uma das primeiras grandes referências escritas a esta vetusta terra da Beira Alta, com uma história que se perde no dealbar da nossa nacionalidade, o que lhe veio conferir uma tradição ímpar nesta região do interior do País.De facto, não existirão muitas terras que se possam orgulhar de já terem comemorado os 800 anos sobre a atribuição do seu primeiro foral, o que se verificou em Abril de 1196, por mando do Cabido da Sé de Viseu. Já então a área geográfica do concelho de Canas de Senhorim abrangia as terras de Canas, de Aguieira, de Carvalhal Redondo, da Lapa do Lobo e de Vale de Madeiros.Iniciou-se então um percurso histórico pleno de vicissitudes, durante o qual o povo de Canas foi obrigado a viver num clima de permanente luta em defesa das suas terras e de melhores condições de vida.Os sucessivos litígios obrigaram mesmo El Rei D. Manuel I a conceder-lhe um segundo foral em 30 de Março de 1514, através do qual lhe determina a sua autonomia, passando a reger-se como um concelho pertencente à Coroa, com a sua própria câmara e juiz e com o seu sistema de rendas e de direitos reais.E, assim, estipulou D. Manuel I em tão longínquo ano:«D. Manuel, por graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves daquém e dalém mar, em África Senhor da Guiné e da conquista navegação comércio de Etiópia, Arábia Pérsia e da índia, a quantos esta carta de foral dado ao lugar de Canas de Senhorim fazemos saber que por bem das sentenças determinadas digo determinações gerais e especiais que foram dadas e feitas por nós e com as do nosso conselho e letrados acerca dos forais de nossos Reinos e dos direitos reais, e tributos que se por eles deviam de arrecadar e pagar e assim pelas inquirições que principalmente mandamos tirar e fazerem todos os locais dos nossos Reinos e senhorios justificadas primeiro com as pessoas que os ditos direitos reais tinham visto o Foral dado por composição entre o cabido e o concelho, achamos que as rendas e direitos Reais se devem arrecadar e pagar na forma seguinte (...)»Foi desta forma que se coroa uma autonomia assumida com firmeza e com sacrifício de muitos, merecendo aqui uma particular referência o Pelourinho de Canas de Senhorim, grande símbolo do seu municipalismo. Possivelmente originário dos inícios do século XVII, foi arguido na Praça, junto aos antigos Paços da Câmara.É inquestionável que o Pelourinho veio a testemunhar a história de Canas, a partir daí até aos nossos dias: o anúncio dos vários «acórdãos da Câmara», o fuzilamento de vários canenses durante as invasões francesas, a venda e posterior demolição dos antigos Paços da Câmara, a restauração do concelho em 1867, até que em 1897 acaba por ser apeado, para ser posteriormente reconstruído, primeiro em 1936 e depois em 1987.Após o Foral Novo de 1514 Canas desenvolve-se durante mais de 300 anos, alargando a sua jurisdição aos concelhos da Aguieira e do Folhadal. Porém, o concelho de Canas é extinto em 1852, na sequência das lutas liberais, voltando a ressurgir em 1866, com uma área alargadíssima que abrangia a totalidade das freguesias do até então concelho de Asnelas, à excepção de Santar, bem como Beijós, Cabanas e Oliveira do Conde, do actual concelho de Carregal do Sal.
(...)
Artigo 7.º O Governo, através do Ministério da Administração Interna, desenvolverá as acções necessárias com vista à imediata instalação do município de Canas de Senhorim.
Artigo 8.º A presente lei entra imediatamente em vigor.
Palácio de São Bento, 31 de Maio de 2002.
A Deputada do PSD, Maria Eulália Teixeira.

28/05/2006

Bem vindos ao concelho de Canas de Senhorim

Dispensava escrever este post sobre Canas de Senhorim, terra à qual nada me liga mas que por razões várias tenho vindo a visitar e a conhecer há mais de uma década. O crescente clamor de gente de estudos, repisando o argumento elementar de que uma localidade com 3.500 habitantes não deveria ser elevada a concelho, levou-me a reconsiderar.Não perturba a confortável certeza dos que assim pensam a exigente luta de décadas da generalidade da população de Canas, nem o facto de o novo concelho ter sido votado por um leque partidário que torna inverosímil a hipótese de conluio político (CDS, PSD, PCP-Verdes e Bloco de Esquerda).É óbvio que, em teoria, um pequeno território, com cerca de 3.500 habitantes, de débil economia e carecido de infra-estruturas, não reune condições para a constituição de um concelho. Porém, a elevação de Canas de Senhorim a concelho é hoje a única saída possível para a desastrosa gestão que o poder autárquico de Nelas tem feito deste assunto ao longo de décadas. Canas de Senhorim sempre constituiu um segundo núcleo urbano no concelho de Nelas, com antigos pergaminhos de extinto concelho e uma dinâmica económica e cívica que rivalizava com a actual sede do Município. O encerramento das minas da Urgeiriça e da Companhia dos Fornos Eléctricos abalou a prosperidade de Canas, mas não alterou os dados do problema e serviu até para elevar as expectativas da população em relação à gestão autárquica.A esta realidade deveria Nelas ter correspondido com uma especial atenção que esbatesse tentações autonomistas, tratando equitativamente Canas em matéria de investimentos autárquicos e qualificando a importância da sua ligação a Nelas. A descentralização de serviços municipais de Nelas para Canas, a instalação nessa localidade de alguns equipamentos de âmbito concelhio, o apoio municipal a actividades locais de grande significado identitário, teriam sido algumas medidas relevantes – e possíveis - para a normalização das relações de Canas com a sede do concelho. A cegueira dos responsáveis autárquicos de Nelas ditou-lhes exactamente caminhos opostos. Degradaram ao limite o investimento municipal em Canas de Senhorim. Ignoraram a generalidade dos anseios e das iniciativas da população canense. Numa época de profunda crise de emprego, desviaram todos os investimentos em novas indústrias para a sede do concelho. A falta de infra-estruturas que hoje se invoca como argumento para a inviabilidade do novo concelho, foi deliberadamente criada e serve exactamente o argumento inverso. Responsabilidades que caberiam ao executivo municipal de Nelas, há muito que são asseguradas directamente por instituições da sociedade civil canense. Veja-se o caso da Associação dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim, que gere uma biblioteca, um museu local de História e Arqueologia, outros equipamentos sociais e acolhe múltiplas actividades recreativas e culturais...Quando o relacionamento de um território com o poder que o administra se aproxima do conceito de colonialismo, o exercício do direito à autodeterminação das populações é por vezes o único remédio disponível. Em especial quando o sentimento identitário e autonomista se forjou ao longo de décadas. Não foi de ânimo leve que os canenses se compararam a Timor e colocaram na seta indicando Nelas a palavra “Indonésia”. Em teoria, Timor também não reuniria condições para se afirmar como Estado soberano...Foi talvez por isso que a criação do novo concelho de Canas de Senhorim foi aprovada ontem, na generalidade, por uma maioria parlamentar de composição inusitada, da qual só ficou de fora o PS que, aparentemente, ainda não tirou todas as ilacções do caso Felgueiras e continua a subordinar a sua acção política a ditames de caciques locais.Seria bom que a solução extrema dada a este caso servisse de lição a outras “potências coloniais” ao nível do poder local. E que, ultrapassada a fase de criação do novo município, Nelas, Canas de Senhorim e os concelhos limítrofes, encontrassem formas de colaboração que introduzam mais racionalidade, eficácia e justiça na satisfação das necessidades das suas populações.Para já, é de consciência tranquila que adiro à mensagem há muito afixada nas estradas que nos levam a Canas: “Bem vindos ao concelho de Canas de Senhorim”!
posted by Causidicus

10/05/2006

torrente de lava...(vamos acreditar)

Canas passa por um período de indecisão! O veto presidencial, sobre a lei que permitia Canas de Senhorim constituir-se como concelho, foi de difícil digestão e ainda alimenta mágoa e inconformismo, facilmente verificáveis no semblante dos canenses. Para além disso os acontecimentos posteriores vieram confirmar a depressão que já se anunciava.Como vulcão que após estrondosa erupção, se consome em pequenos fogachos internos, queimando nas entranhas a energia necessária para levar o clamor da sua reivindicação lá abaixo, à planície, também os canenses se desgastaram em duelos internos perpetrados a propósito das eleições autárquicas e atingindo tudo e todos.Lisboa fica longe e a torrente de lava precisa de ser alimentada com alento e união para lá chegar ostensiva. Esta energia precisa ser dirigida eficaz e convenientemente e não consumida em confrontos inconsequentes e comportamentos arruaceiros como os verificados no verão de 2005, a pretexto das eleições para a Junta de Freguesia, sob o risco da força e razão que nos assistem se perderem, por efeito do desencontro de opiniões quanto à metodologia e estratégia a seguir na persecução dos objectivos a alcançar.Para a presidência da Junta avançou Luís Pinheiro enquanto líder do MRCCS (Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim). Também avançaram outras sensibilidades e interesses políticos, ou porque não se reviam no MRCCS ou porque não fazia sentido qualquer união em torno de um projecto ambivalente, ou por meras incompatibilidades pessoais. Insurgiram-se os primeiros apelidando os demais de traidores e integristas, indignaram-se estes acusando aqueles de anti-democratas e ditadores. Assim se fraccionou a aparente comunhão em torno de uma causa. Nada demais em política e em democracia, não fosse o desconforto de saber que a partir daí já nada seria como dantes.O PS, partido do ex-presidente da Câmara, José Correia, perdeu as eleições e o MRCCS, subsidiário do partido vencedor (PSD), ficou preso numa pseudo-aliança incómoda e comprometedora que lhe retira espaço de manobra para continuar a reivindicar o concelho, uma vez que a actual presidente, Dra. Isaura Pedro, foi peremptória na sua campanha eleitoral ao reafirmar a intenção de presidir um concelho uno e indivisível. Este abraço eleitoral, com contornos de apoio político, foi um erro estratégico do MRCCS. Um abraço excessivamente apertado, mesmo considerando que o período é de defeso e a manobra evasiva.Nestas circunstâncias o MRCCS debilitou-se politicamente ao enveredar por uma argumentação que substancialmente assenta em dois pressupostos incompatíveis: por um lado mantém presente, embora adiada por força da conjuntura política, o intenção de não abdicar da luta pelo concelho, por outro cede à tentação de se fazer representar, a título institucional, na Junta de Freguesia e por inerência na Câmara Municipal de Nelas e respectiva Assembleia, no intuito de reivindicar ou negociar mais e melhor para Canas.Não está em causa a legitimidade da representação, uma vez que foi esse o entendimento expresso pela população nas eleições, mas sim, a prática dessa dualidade de intenções. O Movimento fica tolhido na flexibilidade necessária para levar a efeito as diligências reivindicativas para que foi criado, pelo facto de o seu líder se encontrar a desempenhar a função de presidente da Junta.Misturaram-se as frentes enfraqueceu-se o “ataque”. No caso da nova presidente sofrer do autismo do anterior executivo em questões de investimento e outras preocupações, qual vai ser a atitude do presidente e o papel do líder. É esta promiscuidade de poderes e protagonismos que confunde e não reforça o empenho até agora desenvolvido. O problema não foi o povo votar no MRCCS para a Junta, foi o MRCCS candidatar-se. O lugar de Luís Pinheiro deve ser exclusivamente à frente do Movimento. Não se vislumbra ninguém com melhor ou igual cariz para o cargo. Tem estima, paixão, é popular, eloquente qb, congrega a maioria do apoio dos canenses e mesmo os detractores lhe reconhecem algum mérito, com excepção de alguns que enfim… confirmam a regra. O ideal teria sido Luís Pinheiro apoiar ou criar uma lista que se revisse no Movimento, mas cujo presidente fosse outro. Duas frentes, com características diferentes, mas sem a mescla em que agora Junta e Movimento estão envolvidos. Um líder bicéfalo corre o risco de ficar emaranhado entre duas teias.Salvou-se o facto de José Correia, visceralmente afectado por anos e anos de desavenças e querelas com Canas, ter sido afastado dos destinos camarários, mas até esse aspecto é digno de especulação. A génese da revolta canense assentava e alimentava-se predominantemente da aversão ao comportamento discriminatório e ditatorial protagonizado pelo ex-presidente relativamente aos interesses e expectativas de Canas.


foto enviada por Fernando Cunha
Este sentimento, se bem que justificado pela profunda humilhação sentida pelas nossas gentes ao longo de anos, ao ter-se personificado na pessoa do ex-presidente, retira, agora, face às alterações políticas recentes, parte do ânimo necessário à continuidade do projecto de elevação de Canas a concelho. Bem sei que a legitimação desta pretensão passa por muitos outros motivos, desde os históricos aos políticos, mas esta fulanização da luta, apetecível à liderança de massas, avisava-se perniciosa no caso do presidente ser deposto, mesmo sem a participação do MRCCS na construção do cadafalso. Remeter insistentemente a causa de uma luta para o comportamento de um dos seus agentes pode criar um vazio de convicções, se entretanto o agente for arredado do cenário - como aconteceu.E agora, o que fazer se Isaura Pedro não corresponder aos anseios da população ou não atender ao diálogo aparente entre o Movimento e a edilidade, como aliás já é notório com a escassa verba de 300.000 € atribuída e orçamentada pela Assembleia Municipal e a (in)explicável ausência do presidente da Junta neste órgão? Voltamos atrás? Deixamos novamente de nos fazer representar naqueles órgãos? E se, pelo contrário, esta presidente decidir favorecer, apoiar e desenvolver a nossa vila? Cai por terra a ideia do concelho?Pressinto que este rumo nos leva a uma letargia inconsequente nas pretensões de Canas a concelho e a um desânimo interno consumido no desgaste de todo este processo político. Assim me engane.

por PortugaSuave in Portugal Suave

20/03/2006

identidade (II)

Urânio_Minas da Urgeiriça
[...]A Identidade colectiva inscreve-se também num longo trajecto de luta e de resistência, num percurso de sofrimento e de abandono, num quadro de injustiça (Gamson, 1992). Esta comunhão de sentimentos alimenta a luta e é o suporte dos argumentos de socialização dos mais novos para as razões que movem o Movimento e os seus simpatizantes. As identidades pessoais e o reconhecimento pessoal entrecruzam-se com essa identidade colectiva de luta, resistência e sofrimento. Cada pessoa situa-se, auto-avalia-se, avalia e é avaliada pelos outros na hierarquia de credibilidade e nas carreiras morais locais. Embora um factor marcante para a posição nessa hierarquia de credibilidade seja a naturalidade, alguns dos que se encontram próximos do Movimento não nasceram na localidade, tendo, contudo, ido residir para lá enquanto crianças. Dois componentes permitem legitimar e reforçar a sua posição moral na localidade: a) o estatuto e o comportamento da família de origem; b) a integridade e a coerência pessoais e familiares nas atitudes em favor do Movimento (tradição e biografia) e nas acções em prol da localidade. No primeiro, é factor de valorização o estatuto como trabalhador (contra, por exemplo, o que acontecera com os engenheiros e técnicos que vinham trabalhar para as empresas existentes na localidade) e a integração da família nas redes locais de sociabilidade. No segundo, avalia-se a capacidade dos indivíduos de aderirem e estarem próximos dos valores e dos ideais locais para a restauração do concelho.
José Manuel de Oliveira Mendes
Uma localidade da Beira em protesto: memória, populismo e democracia

17/03/2006

Voltaremos a ser!

Sampaio fintou o povo
O futuro ex-presidente da república, na fase terminal do seu quase invisível mandato, decidiu deslocar-se à terra a quem um dia barrou o sonho de ser concelho. O secretismo e a alteração de planos à última da hora não impediu que os sinos da matriz dobrassem a defunto. Foram colocados panos pretos nas janelas e houve, apesar de tudo, um "ruidoso" protesto em silêncio. Depois de fintar aspirações populares, Sampaio fintou a frontalidade para com o povo de Canas de Senhorim. Um homem com atitude de quem foge e não de quem se assume como líder da nação é, para além de "um obstáculo", a imagem que Jorge Sampaio deixa naquelas gentes simples de aspirações igualmente simples. Um Presidente da República não pode estar sujeito a pressões de qualquer tipo... mas pode e deve saber ouvir o protesto! Sabendo de antemão que não é nem nunca será bem-vindo por aquelas bandas... porque entendeu ele, em presidência aberta, incluir Canas de Senhorim na agenda? Será apenas para atingir o marco de ter visitado todos os concelhos de Portugal, até mesmo aqueles que não o são mas que poderão vir a ser? Lamentável!
posted by IRS
in argumentandum.blogspot.com/

16/03/2006

Paulo Portas_Março 2000

Paulo Portas no "Mercado de Canas de Senhorim" em Março de 2000
Minhas amigas e meus amigos, eu queria, em primeiro lugar, fazer uma saudação muito especial a todos e todas os Canenses que aqui estão, independentemente da sua ideologia, e esta causa deste Concelho, que há-de ser criado, não é uma causa partidária, é uma causa de justiça à disposição de todas as pessoas de bom senso e boa vontade.
Quando me perguntaram se eu era favorável à criação do Concelho de Canas de Senhorim, eu respondi: - Canas de Senhorim, sim obrigado.

Estou aqui porque acho justa a vossa aspiração e gostava de deixar portanto com esta legitimidade e com esta autoridade que os partidos políticos tomem uma decisão nesta matéria em função do que vocês merecem e não do que eles esperam.
Mantenham a firmeza na defesa do vosso propósito, mantenham a serenidade na forma como lutam, em democracia as instituições podem demorar a perceber as populações, mas um dia percebem-nas.
Vocês têm a força da razão, ninguém deve usar contra vós a razão da força, até porque se o fizer, não ganha nada com isso, aqui as pessoas são de carácter acreditam numa luta, a história vai por vós e o que vocês querem é apenas devolver ao futuro o que o passado já vos deu.
Têm o nosso compromisso os vossos representantes sabem que ele é para valer queremos ajudar-vos a vencer.
Bem hajam. Viva Canas de Senhorim.
1 2 - 0 3 - 2 0 0 0 Paulo Portas _Extracto do discurso com o total apoio à Restauração do Concelho de Canas de Senhorim

15/03/2006

O universal é o local sem paredes*

foto http://www.canasdesenhorim.com/Luis Miguel Pereira Rosa

(...)3.5 Processos identitários pessoais e colectivos
A identidade colectiva de Canas baseia-se num passado de pujança económica e de vivência operária. Como referiu o líder do Movimento numa reunião, «Nós [ a localidade de Canas de Senhorim] não somos agricultores ou camponeses. Trabalhava-se nas fábricas, com mais de mil trabalhadores. Temos uma mentalidade industrial e urbana. Não é rural como se vê à volta» (14 de Março de 2000). Esta realidade, que se manifestava no voto político de esquerda, num distrito considerado conservador, fez com que Canas fosse conhecida, segundo o relato de alguns entrevistados, como o Barreiro ou a Cuba das Beiras. Esta vivência operária e fabril, concretizada em lutas colectivas dos trabalhadores, disseminou uma cultura populista e radical, fortemente oposta às elites locais, acusadas muitaz vezes de terem apoiado, aquando das lutas liberais no século passado, a integração de Canas no concelho de Nelas.

José Manuel de Oliveira Mendes- Doutorado em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, na especialidade de Sociologia da Cultura, do Conhecimento e da Comunicação
Uma localidade da Beira em protesto: memória, populismo e democracia
*Miguel Torga
citado por JMOMendes
http://www.ces.fe.uc.pt/

11/03/2006

A Outra Face

Largo 2 de Agosto_1de Julho 03
foto de AJSBorges
Capítulo novo, história nova?
Mais um capítulo que foi aberto na luta do nosso povo.
Troca de Presidentes, esperamos troca de políticas…
A passagem do ex-Presidente foi nefasta para o nosso povo, mostrando outra faceta do homem Jorge Sampaio, mentiroso e cínico. Mentiu ao povo de Canas quando afirmou que se o projecto fosse aprovado pela Assembleia da República não o vetaria, e foi cínico na sua visita a Asnelas, mostrando aí, algo que se desconhecia, num Presidente que tomou aquelas decisões - o medo e a cobardia.
Pode-se afirmar que foi um funcionário do seu partido, que neste último mandato esteve ao seu melhor nível.
Não esquecer que foi ele quem deu mais força à luta de Canas quando assinou por baixo a criação dos concelhos de Vizela, Trofa e Odivelas. Abriu um precedente aceitando estar ao lado do seu amigo e Primeiro-ministro Guterres, fazendo com que as promessas deste fossem cumpridas. Se bem sabemos Vizela e Trofa não estavam de acordo com a Lei-quadro vigente para a criação de novos municípios, mas o facto é que foram criados e assinados por Sua Exc.ª.
Com que legitimidade ele vetou Canas e Fátima? Unicamente razões políticas. Não é credivel que o tal livro branco que mandou criar venha trazer algo de novo porque me parece que o livro vai ficar mesmo em branco, dando jus ao nome, com que Sua Exc.ª o baptizou.
Diziam que iria abrir um precedente e que muitas freguesias iriam pedir para ser concelho, o mais interessante nisto é que a única que deu a cara e o corpo ao manifesto foi Canas de Senhorim. Fátima o que fez? Foi a reboque…
Dizem que é anormal a existência de dois concelhos com uma distância de 6 km, mas o facto é que foi feito um estudo da CCRC em que afirma que só trará vantagens para as duas localidades a separação, logicamente com a criação do novo concelho de Canas.
Mas hoje muda uma personagem, uma personagem que não deixa saudades, e a questão que se impõe neste momento, será que a nova personagem vai ser melhor que a anterior?
Sinceramente não acredito, e relembro que quando os Fornos Eléctricos estavam para fechar o mesmo senhor que hoje é Presidente da República e naquele tempo Primeiro-Ministro, quando um dia se dirigia para uma visita a uma localidade do distrito de Viseu em que o percurso passaria por Canas e ao saber que os trabalhadores estavam à Sua espera para darem conta do que sofriam não hesitou e desviou-se indo por um caminho mais distante para não ouvir as lamentações de milhares de trabalhadores que estavam prestes a ir para o desemprego.
Acho que o Movimento (se é que ainda existe e com aquele fundamento para que foi criado) já devia ter “apalpado” o pulso ao PR, dando a conhecer ao povo essa avaliação feita.
O tempo é o melhor conselheiro, e como diz o cego a ver vamos….
Deus esteja convosco, Amén

posted by ratzinger

09/03/2006

.........(censurado)

[...]De facto, o PR possui o poder de comprometer-se, primeiro, com a criação do Concelho de Canas de Senhorim e dar, depois, o dito por não dito aos seus habitantes.
De facto, o PR possui o poder, até, de promul­gar ou vetar os concelhos, entretanto aprova­dos pela Assembleia da República, consoante critérios, ainda hoje, incompreensíveis.

Acontece é que, por muitos poderes que um Presidente da República tenha, não há poder que consiga sobrepor-se, ainda, ao poder da vontade de um povo. Ou seja, à nossa determi­nação em lutar pela restauração do Concelho de Canas de Senhorim.

Carta Aberta do Povo de Canas de Senhorim ao E.xº Sr. Pres. da República

20/02/2006

Carta Aberta do Povo de Canas de Senhorim ao E.xº Sr. Pres. da República

Será que, a propósito ainda da sua visita a Ne­las, e nesse enorme e divergente contexto de notícias, comentários e blogues subsequentes - na imprensa, na televisão, do chefe da Casa Civil da PR, do Prof. Marcelo, até ao director de Informação, Luís Marinho -, ainda valerá a pena dizer essa coisa que é a verdade?
Será que, nesta efabulação toda, nesta ceno­grafia imensa de coisas aparatosas, próprias de um Estado policial desde o absoluto secre­tismo a propósito de uma visita a um pacato concelho do país, até à patética fuga da sua comitiva presidencial por caminhos fazendei­ros, passando pela montagem de um autêntico cenário de guerra na região, cercando-a de ar­mas, polícias, cães e canhões de água -, ainda será justo, será útil, será oportuno, adiantar essas coisas circunstanciais e menores, que são os factos? Julgamos que sim.

Daí, esta carta aberta do povo de Canas de Senhorim e a V. Exa. endereçada.
E que verdade? E que factos? Vamos, primeiro, aos factos.

1- No dia da deslocação de V. Exa. a Nelas, na quinta-feira, dia 9 de Fevereiro de 2006, a população de Canas de Senhorim, em lugar de dar demasiado realce a mais uma visita sem qualquer utilidade social, económica e política, antes preferiu fazer o que sempre fez, trabalhar;
2 - Para lá disso, ficou apenas o registo de um minuto de silêncio e o exercício do direito à crítica levado a efeito pelos Canenses, junto da comunicação social;
3 -E, no entanto, V. Exa., aqui e ali, continua a associar às peripécias que rodearam essa sua visita à iminência de manifestações violentas, verbais e mesmo físicas, por parte do povo de Canas de Senhorim.

Na verdade, esta manipulação dos factos define bem os poderes do Presidente da Re­pública na sua dimensão mais autêntica.
Porquanto, de facto o PR possui o poder de vitimar-se, nem que, para isso, se sonhem ma­nifestações violentas das Canenses, quando estes, pelo menos desde há 810 anos, sempre se caracterizaram como um povo digno, tra­balhador e pacifico.
De facto, o PR possui o poder de visitar os concelhos deste país no modo que entender, seja de forma solene ou no desprezo dos mu­nícipes, seja com protocolo de Estado ou em passeio geográfico.
De facto, o PR possui o poder de comprometer-se, primeiro, com a criação do Concelho de Canas de Senhorim e dar, depois, o dito por não dito aos seus habitantes.
De facto, o PR possui o poder, até, de promul­gar ou vetar os concelhos, entretanto aprova­dos pela Assembleia da República, consoante critérios, ainda hoje, incompreensíveis.
Acontece é que, por muitos poderes que um Presidente da República tenha, não há poder que consiga sobrepor-se, ainda, ao poder da vontade de um povo. Ou seja, à nossa determi­nação em lutar pela restauração do Concelho de Canas de Senhorim.
LUÍS MANUEL ABRANTES PINHEIRO PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE CANAS DE SENHORIM E LÍDER DO MOVIMENTO DE RESTAURAÇÃO DO CONCELHO DE CANAS DE SENHORIM

14/02/2006

Mais que uma rua


Eu nasci e vivo em Oeiras, no entanto durante um ano vivi em Canas de Senhorim. Garanto-lhes que aquela população sofre bastante e é discriminada todos os dias. As barbaridades vão desde a falta de investimento à simples, mas grave, recusa de emprestar o autocarro da câmara para visitas de estudo simplesmente por ser para a Escola de Canas. Por saber o que se passa eu apoio a criação do concelho de Canas, pois é a única forma de Canas de Senhorim e as freguesias envolventes recuperarem efectivamente o tempo perdido. Também quero frisar que apesar de toda a discriminação, o povo de Canas tem muita iniciativa. Tal é que realiza diversas actividades, como um bom e grande Carnaval plenamente Português, uma feira medieval e até teve uma Canas Parade (um camião com música a percorrer as ruas de Canas). principalmente numa terra em que nenhum poder (local, ou nacional) presta cuidado algum.(...)PS: Canas de Senhorim é bem mais que uma Rua.
PedroFFM in o-espectro.blogspot.com

13/02/2006

O Sr. Serra [por Biotecmaster)

Acho que este sr.(Serra) perdeu uma boa oportunidade para ficarmos a pensar que ele não lia blogs... Atirar areia para os olhos é solução? Alguém acredita que a visita não foi planeada em segredo? Foi esquecimento o facto de terem publicado as informações detalhadas das visitas a todos os outros concelhos, faltando apenas o de nelas? Será que se realmente quisessemos que houvesse uma manifestação "agressiva" teria sido esta visita relâmpago que o teria impedido? Houve manifestações em nelas, se o sr Serra estivesse tão atento ao que se passa no país como está aos blogs certamente teria dado conta, uma vez que não foi nem uma nem duas vezes! Quanto ao ponto 4, sem dúvida que esta história está recheada de episódios de violência, desde garotos de escola mal atendidos na CMn para um simples trabalho de escola, quando se aperceberam que eram de Canas, desde anos e anos de abandono patrocinado por essa mesma Presidência da República.(...) Sou de Canas de Senhorim, e tenho orgulho de o ser.
comentário de Biotcmaster in o-espectro.blogspot.com em resposta ao sr. Serra da casa civil

Censura presidencial?

RTP retirou da emissão insultos a Jorge Sampaio
Marina Almeida*
A jornalista da RTP Maria João Barros "recebeu instruções" de coordenadores da RTPN para não difundir imagens que mostravam os populares de Canas de Senhorim a bater palmas e a chamar mentiroso ao Presidente da República.O episódio aconteceu na quinta-feira, durante a visita supresa de Jorge Sampaio a Nelas. A jornalista que acompanhava o Presidente fez um directo às 10.00 para a RTPN que terminava com uma manifestação dos populares apupando Sampaio. Mais tarde, foi contactada pelos coordenadores da RTPN, no Porto, para não voltar a passar essas imagens. Maria João Barros vai expôr formalmente o caso ao Conselho de Redacção da televisão pública e não se quer alongar em comentários antes de o fazer. Apenas diz que em "17 ou 18 anos de RTP" nunca lhe tinha "acontecido ser impedida de dar um plano de uma coisa que aconteceu porque é um insulto".A indicação de omitir as referidas imagens do protesto partiu da Direcção de Informação, assumiu ao DN Luís Marinho, o seu responsável máximo. "Entendemos que não devemos divulgar insultos ao Presidente da República", disse. "As pessoas tem todo o direito de o fazer e nós de não o divulgar", referiu. De acordo com Marinho, as imagens "passaram uma ou duas vezes", não só na RTPN como até terão entrado no Bom Dia Portugal (programa informativo das manhãs da RTP). "Ao fim da manhã, considerámos que não acrescentavam rigorosamente nada às notícias e não deviam ser difundidas" diz o director de Informação. "O que eu não quis foi que se eternizassem na emissão", sublinhou.Confrontado com a existência de pressões externas, Luís Marinho rejeita-as liminarmente. "Há situações limite e esta foi uma delas", disse, assumindo que este tipo de casos "não são comuns mas quando acontecem, são analisados".(...)
*com Filipe Morais
http://dn.sapo.pt/2006/02/11/

37minutos 23segundos e 57 milésimos [por Cingab]

O Dr. João Serra esquece muitas coisas, mas nós em Canas não esquecemos. Ele, para mim, era o manobrador da marioneta que é Sampaio, ele já jantou, muitas vezes, com os líderes do MRCCS, ele foi testemunha das mentiras que sempre nos fizeram e, reparem que nunca foram desmentidas… Esses senhores, independentemente da sua opinião, enganaram Canas de Senhorim…
Ponto por ponto 1- Nunca esteve preparada uma manifestação em Nelas. Esteve apenas em discussão. O seu “SIS” deveria estar mais bem informado 2- Os habitantes de Canas de Senhorim votaram contra o antigo presidente, não a favor desta. 3- O Sr João Serra critica, e bem, a violência verbal e física mas esquece a violência psicológica de que ele na sua casa civil é mestre. Os populares de Canas de Senhorim já se manifestaram em Nelas e várias vezes 4- O Conflito tem uma longa história, pois tem!5- As cautelas devem-se ao facto de se ter medo e de assumir de uma vez por todas quem é aldrabão 6- Não esteve 30 minutos não sr, talvez 37m, 23 segundos e 57 milésimos, não foi preparada em segredo, mas foi?!?!?!? Imaginem que a Presidente de Câmara nem sabia!... E o carro sem as bandeiras presidenciais? PS. Todos têm o direito de ser contra a criação do Concelho de Canas, mas é revoltante haver mentirosos nos mais altos cargos da nossa república.
canasesenhorins.blogspot.com cingab.blogspot.com comment de Cingab inhttp://o-espectro.blogspot.com/

Gente [por Amef]


As grandes verdades ficam sempre no tinteiro! E as nossas verdades são a discriminação a que temos sido vetados pela C.M.Nelas, a diferença de tratamento das nossas Associações por aquela autarquia, o desvio de investidores para a sede do concelho, o mau estado das nossas infraestruturas, a falta de água nas nossas torneiras (enquanto em Nelas se regam os jardins públicos e privados...), o ser olhado de lado, etc, etc.Muita gente desconhecerá que Canas de Senhorim apresentou o seu primeiro projecto de autonomia autárquica em simultâneo com Amadora e Vizela, "via" CDS, no longínquo ano de 1976! Obviamente que temos perfeita noção das grandes realidades que são aquelas duas importantes Autarquias... e não queremos comparar o nosso caso! Mas, então, também não temos o direito a ser grandes? Com tantas vozes contra nós, está visto que não! Amo muito a minha terra e gostaria que os nossos filhos tivessem, aqui, perspectivas de futuro! Mas quando um presidente de câmara diz que... "indústrias no meu concelho, ou em Nelas ou fora dele!", parece-me que não há futuro...Para os que duvidam desta realidade fica o convite: Venham a Canas, dois ou três dias, e verão que sairão daqui com outro pensar!É que Canas não é só uma rua com casas de cada lado... Tem cá gente com direitos iguais aos de outras terras que têm muitas ruas com casas dos dois lados, e mais altas!Também pagamos IRS...

Pobre democracia a nossa!*

Hotel Urgeirica, Canas de Senhorim, Viseu, Beiras, Portugal for business and holiday accommodation
Saiu engalanado, com o traje do­mingueiro, pouco depois dos pri­meiros raio de sol surgirem no céu. Auxiliado pela muleta, que usa há mais de dez anos devido à velhice, dirigiu-se à rua central da vila de Nelas. Afinal, era dia de festa! Vi­nha aí o mais alto representante da nação. O Presidente da República, Jorge Sampaio, tinha anunciado a sua primeira visita ao concelho e não queria perder a oportunidade de o ver ao vivo. "Para ver se é tão simpático como na televisão!" Além disso, também queria "cumprimen­tar a Dr. a Maria José Rita". Esperou. Esperou. Esperou. Uma. Duas. Três horas. O relógio marcou as llh00. Nada! Uma vizinha explicou-lhe, quase aos gritos - talvez por pensar que idade é sinónimo de surdez -,
que "na rádio disseram que [o Presidente] não ia à vila, por causa de Canas de Senhorim".
O triste episódio retrata o sentimento que se viveu em Nelas na passada quinta-feira. Enquanto várias dezenas de pessoas se concentravam junto às principais ruas da vila para receber Sampaio, este utilizava estradas secundárias para chegar ao concelho que nos últimos oito anos tem feito as primeiras páginas e aberturas de noticiários, devido à luta separatista da freguesia de Canas de Senhorim.

Apesar do segredo absoluto feito em volta do programa presidencial, apenas é conhecido por alguns dos colabora­dores mais próximos do Presidente, a visita foi alterada à última hora. A própria presidente de Câmara de Nelas, Isaura Pedro, esperava Sampaio no Centro de Estudos Viti­vinícola do Dão, quando foi informada de que o Presidente ia, afinal, deslocar-se à zona industrial e visitar a empresa Coldkit Ibérica. Até lá, o carro da Presidência da Repúbli­ca circulou sem as habituais bandeiras de Portugal, numa tentativa óbvia de passar despercebido.
O líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim (MRCCS), Luís Pinheiro, tinha avisado que a visita era considerada uma "humilhação" e uma "pro­vocação" à freguesia. E, ainda que estivesse a "tentar conter a revolta dos populares", admitiu que tudo podia acontecer! Por isso, um forte dispositivo policial, que incluiu pelo me­nos oito carrinhas com elementos do Batalhão Operacional da GNR (estacionadas a pouco mais de um quilómetro da empresa visitada por Sampaio), foi mobilizado.
Mas, mesmo assim, o Presidente preferiu não arriscar. Para evitar que a sua última Presidência Aberta ficasse manchada por alguma manifestação ou por alguns apupos e vaias, Sampaio optou por chegar e partir quase em segredo. Não tivesse a comunicação social anunciado previamente que Nelas se incluía entre os 11 concelhos a visitar e a passa­gem-relâmpago -45 minutos - do chefe de Estado por aquele município seria muito similar à que José Sócrates realizou
em Dezembro a Cabul, onde almoçou com os militares em missão no Afeganistão. Salvas as óbvias diferenças, já que a visita do primeiro-ministro durou cerca de quatro horas, além de não ter tido necessidade de seguir por estradas se­cundárias.
Plagiando um participante do Fórum da TSF, "pobre o pais que recebe O seu Presidente com fanfarras e bombos", mas mais pobre é o Presidente que tem de se esconder para passear pelo seu próprio pais. Será que a "ameaça" de Canas de Senhorim justificava realmente tanto segredo? Será que algumas dezenas de manifestantes, na maioria idosos "armados" com bandeiras, justificariam a mobilização de um tão grande aparato policial? Será que Jorge Sampaio, quando vetou o decreto-lei que permitiria a criação do município de Canas de Senhorim (o que lhe valeu o epíte­to de "inimigo" da causa), não agiu, afinal (como prefiro acreditar), de acordo com a sua consciência e por causas objectivas?
Atrevo-me a plagiar agora Luís Pinheiro, utilizando a palavra "humilhação". Saiu humilhado o concelho, es­pecialmente as populações de Nelas e Canas, o executivo municipal, que foi ludibriado, e o próprio Presidente da República, que agiu como se tivesse algo a temer. Pobre democracia a nossa!.
*Crónica de Maria Albuquerque in Público de 13 de Fev 06

A Presidência da República no seu melhor!


CARTAS
De João Serra, Chefe da Casa Civil da Presidência da República, sobre a visita de Jorge Sampaio a Nelas.
Visita de Jorge Sampaio a NelasOs jornalistas não relataram que:
1. A pretexto da projectada visita do Presidente a Nelas, estava preparada uma manifestação e uma contra-manifestação (a primeira da iniciativa da Junta de Freguesa de Canas de Senhorim e a segunda da iniciativa do núcleo de apoiantes do anterior presidente da Câmara de Nelas).
2. O anterior presidente da Câmara de Nelas perdeu as eleições para a actual Presidente em boa parte porque os habitantes de Canas de Senhorim decidiram votar nela.
3. A ameaça real de confronto físico e da provável intervenção policial destinava-se pois a provar que a actual maioria Camarária não tinha capacidade de conter os ânimos dos manifestantes de Canas de Senhorim (de facto enquanto José Correia foi Presidente da Câmara de Nelas, nunca canenses se manifestaram em Nelas).
4. O conflito tem uma história longa, de que lhe poderei falar também longamente se tiver algum interesse nela. Mas sempre lhe direi que essa história está recheada de episódios de violência: tiros contra a comitiva do Primeiro-Ministro Sá Carneiro, árvores a impedirem a passagem do Primeiro-Ministro Cavaco Silva, cortes de linhas férreas, etc, etc.
5. A ida do PR a Nela rodeiu-se de algumas cautelas com vista a:a) evitar violência;b) não interferir no jogo político local, fortalecendo ou fragilizando qualquer dos protagonistas;
6. Nesse sentido, foi julgado preferível visitar um empresa a visitar uma instituição municipal (acontece isso em muitas visitas a concelhos).
7. Quanto ao resto:a) é falso que o PR só tenha estado 30 minutos em Nelasb) também não é verdade que a visita tenha sido preparada em segredoc) ou melhor, foi preparada em segredo dos membros do Movimento de Canasd) estou pessoalmente convencido de que alguma comunicação social queria e tudo fez para que houvesse confronto e ficou "decepcionada" com o PR.
Quanto à sua interpretação sobre a forma como o PR resolveu a passagem por Nelas, não devo discuti-la. Gostaria apenas que pudesse ter em conta que o contexto da decisão que tivemos de tomar é mais complexo do que pode parecer.
João Serra