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05/12/2007

Casa de Pessoal...56 anos de Vida



Ver Slide em:

28/11/2007

Obras da praia fluvial começaram







14/11/2007

Salvem a Casa do Pessoal – Minas da Urgeiriça

Salvem a Casa do Pessoal – Minas da Urgeiriça

Fundada em 3 de Dezembro de 1951, a Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça tinha como objectivo essencial o desenvolvimento físico e intelectual dos seus associados, e ainda hoje, em conformidade e afinidade a este objectivo, procura visar a prossecução de interesses colectivos e comuns dos sócios, das famílias e amigos, de reformados, de trabalhadores e ex – trabalhadores das Minas da Urgeiriça.
Ao longo destes anos deu um forte contributo ao nível social, cultural, desportivo e recreativo à sociedade onde está inserida, criando, promovendo, organizando e participando em diversos projectos e actividades tais como:
- Desporto: grandes prémios nacionais de marcha atlética, campeonatos regionais e nacionais de futebol, andebol, basquetebol, ténis de mesa, pesca desportiva, ginástica rítmica, etc,
- Social: cursos básicos de ensino, cursos de inglês, colónias de férias, jardim escola, fundo de assistência social para doença, parque infantil, cantina, etc;
- Cultural/ Recreativo: Biblioteca e salas de leitura, bar, salas de jogos, sala de espectáculos/ colóquios e exposições; cinema - projecção de filmes semanais em película 35 mm ; teatro / música teatro revista, récitas, rancho infantil , orfeão, escola de música, agrupamento musica, etc;
Actualmente a Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça está em risco de encerrar ou preferível, está em risco de lhe retirarem abruptamente a sede que por unanimidade e analogia óbvia se chama edifício Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça.
Devido à ligação ainda existente entre a Casa do Pessoal e a EDM – Empresa Desenvolvimento Mineiro (que por isso não possui personalidade jurídica própria) não é possível elaborar novos, nem mesmo dar continuidade a estes projectos e actividades, isto porque a EDM não aceita nem propõe soluções justas e fidedignas que permitam à Casa do Pessoal funcionar com autonomia, querendo mesmo retirar o edifício àqueles que com muito trabalho e suor o construíram e o mantiveram vivo.
Esta casa há 56 anos que pertence a toda a comunidade, aos sócios, às famílias e amigos, dos reformados, dos trabalhadores e ex- trabalhadores das Minas da Urgeiriça.
Agradecemos àqueles que já demonstraram o apoio e se apresentaram solidários para com esta justa causa, tais como as associações vizinhas, os ex trabalhadores, os demais anónimos, o poder local constituído pelo Município de Nelas e pela Junta de Freguesia de Canas de Senhorim.
Apelamos ao bom senso, à solidariedade e à ajuda daqueles que se identificam de alguma forma com esta Casa, que não a deixem morrer. Obrigado.

Nota: Não tenho por habito a duplicação de noticias, pois foi publicada também no: Urgeiriça em peso mas julgo que se justifica.
Nota 2: Gentilmente enviado por email por um morador da Urgeiriça a quem agradeço.

Casa do Pessoal da Urgueiriça


06/11/2007

Os riscos da exploração do urânio

[...] Vivemos num país em que a exploração de urânio do passado (nas 61 explorações mineiras existentes no país) acarretou um enorme passivo ambiental e impactes negativos na saúde pública das populações, que ainda hoje se manifestam e continuam por resolver. As minas encerradas continuam a ser responsáveis, além de poluição visual, pela presença de poeiras tóxicas na atmosfera e por situações de contaminação de solos, cursos de água e lençóis freáticos.
O acondicionamento dos milhares de toneladas de escórias, resultantes do tratamento do minério, em escombreiras e barragens de estéreis, sem que nada tenha sido feito durante décadas, deixou um pesado legado de degradação do ambiente e nas condições de vida em 18 concelhos do território nacional.
Existem cerca de 7,8 milhões m3 de resíduos, dos quais 3 milhões representam maior perigo de contaminação. As minas da Urgeiriça, no concelho de Nelas, em Viseu, têm as maiores fontes de radioactividade, representando a quase totalidade dos resíduos. O estudo MinUrar - Minas de Urânio e seus Resíduos: Efeitos na Saúde da População, coordenado pelo
Observatório Nacional de Saúde, concluiu que a população de Canas de Senhorim, exposta às minas da Urgeiriça, apresenta uma diminuição das funções da tiróide, da capacidade reprodutiva de homens e mulheres e do número de glóbulos vermelhos, brancos e de plaquetas no sangue. [...]
Texto na integra em Urgeiriça em peso

17/10/2007

Finalmente...

Ex-trabalhadores da ENU vão começar a submeter-se a exames médicos.
Os ex-trabalhadores da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU) “vão começar em Novembro a ser convidados a iniciar voluntariamente um programa de saúde”, informou o delegado de Saúde de Nelas, em comunicado.
“Por decisão do ministro da Saúde”, os ex-trabalhadores da extinta ENU, sediada na Urgeiriça, serão submetidos a um programa de saúde voluntário”, revelou, em comunicado, Bernardino Soares, delegado de Saúde de Nelas.
Segundo explicou, o programa “está praticamente em condições de passar ao terreno, ou seja, iniciado, e pressupõe uma colaboração entre o Hospital de Viseu e o Centro de Saúde de Nelas”.
“Será feito, no Hospital de Viseu, um exame inicial a todos os ex-trabalhadores que quiserem submeter-se a ele e as pessoas serão depois encaminhadas de acordo com os problemas de saúde detectados”, adiantou.
Posteriormente, poderá ser feita “a vigilância da saúde das pessoas, que voltarão ao hospital, à especialidade necessária, sempre que o médico de família entender que é preciso”, referiu ainda.

Fonte: http://noticiasdeviseu.com/

15/10/2007

Os "Uranios"

Um album para recordar e defender...

09/08/2007

Cheira-me a.... Fogo

Estava eu em casa muito bem, quando oiço uma sirene de bombeiros, venho à rua e deparo-me com uma grande mancha de fumo para os lados da Urgeiriça...
Como bom português que sou fui lá dar uma espreitadela!
Quando chego ao local já se encontravam lá várias viaturas dos bombeiros! E uma pequena área ardia... Mas não é o meu espanto quando olho para o céu e vejo 2 aerotanques e um helicóptero!

Depois disso vejo bombeiros de Cabanas de Viriato e Nelas!

Ao todo estiveram 48 homens, 11 viaturas (apenas 4 de Canas), 2 aerotanques e 1 helicóptero como foi indicado no site da protecção civil:


Foi fantástico o trabalho dos bombeiros, que numa zona tão suja e com tanto lixo rapidamente apagaram o incêndio.

Para a história fica a imagem do que eu penso ter sido o maior incêndio até ao momento:

"Coisas" da Casa de Pessoal

fotos: efeneto
Memórias que o tempo não apaga

07/08/2007

CNS Férias 07




3X3 Panorâmicas vs Postais
fotos de Norberto Peixoto

Lugares Mágicos - Hotel Urgeiriça _ Canas de Senhorim

19/07/2007

“Zumzum”

Numa altura em que há um “zumzum” para o encerramento da Casa de Pessoal das Minas da Urgeiriça, gostaria de partilhar com os amigos este pequeno excerto que encontrei, pode ser que alguém se recorde e que sirva de alerta para não acabar com esta “CASA” onde muita boa gente entrou e continua a entrar. Serve para recordar e alertar.
Nuno Cardoso
Arriscar em palco
Por Francisca Cunha Rêgo
Jornal de Letras.
[...] Toma nota o tempo todo. Na sua mão comprida, muito magra, a caneta está em riste e agita-se ao ritmo da fala dos actores que ensaiam no palco. De repente pára, acende um cigarro e recomeça a escrita. Sentado na parte de trás do armazém, entre o monte de roupas, casacos e mochilas que ali encontraram poiso, observa fixamente a cena e às vezes parece estar a dizer o texto para si. Mas talvez seja só uma impressão. Dissipa-se enquanto Nuno Cardoso acende mais um cigarro.
Encenar Ricardo II era um projecto antigo. Texto retórico, «invulgarmente lírico», extenso, apresentava-se-lhe como «uma batalha muito difícil» mas, como afirma, convicto, «uma pessoa define-se pelas suas batalhas». Interessou-lhe reflectir sobre os meandros do poder e da identidade que para o actor e encenador são sempre os mesmos, repetindo-se, independentemente do sistema político ou da época em que se situam. Assim, as figuras do Rei Ricardo e a do nobre Bullingbrook, cativaram-no e pareceram ligar-se ao seu percurso.
As peças que escolhe transportam-no e ajudam-no a perceber a sua própria vida, os seus motivos. De repente há um ‘clique’ com determinado texto que vem clarificar como se sente face ao mundo. É que, para Nuno Cardoso, a prática teatral é a sua Educação. Não só porque não tem qualquer curso de teatro, mas fundamentalmente porque o teatro é a sua educação como homem: «Nesse sentido, é um solilóquio». Desse diálogo consigo próprio têm surgido, ao longo dos anos, muitas peças, muitas conversas. Até porque, como diz, «o papel do teatro é falar. A voz pode ser estranha, umas vezes roufenha, outras mais lírica, mas fala para quem quiser ouvir». E o melhor é falar bem. «Para ver se alguém nos ouve», diz a sorrir. Já o que quer dizer, prefere não revelar: «É melhor deixar que o público entenda por si
Nuno Cardoso percebeu logo o chamamento do Teatro. Andava a estudar Direito na Universidade de Coimbra. Estudar talvez seja uma força de expressão, pois acabou por não ir a muitas aulas. Nascido em 1970, numa terra pequena, Canas de Senhorim, os pais – que nunca tinham tido acesso à Universidade – sonhavam com a licenciatura do filho. Nuno tinha lido In Illo Tempore, de Trindade Coelho, e Direito não lhe parecera uma escolha, mas antes um «destino». Não correu bem esse fado, «havia muitos concertos para assistir, muitos livros para ler e, sobretudo, muitos filmes para ver.»

Os filmes, de facto, entraram muito cedo na sua vida. Confessa-se um «fanático por cinema.» E não é esquisito: vê tudo o que lhe aparece à frente, do mais básico blockbuster ao mais experimental dos realizadores. Aos sete anos, ia com o pai, todas as sextas-feiras, para a Casa de Pessoal dos Mineiros das Minas da Urgeiriça onde viu todos os filmes de Sérgio Leone e, entre outros, todos os ‘western spaghetti’. Nunca foi criança que precisasse muito de dormir e o pai deixava-o ficar a ver na televisão a Lotação Esgotada, e a Sessão da Noite, à terça-feira. Assim, entre os 10 e os 13 anos, viu todos os filmes de John Ford, ciclos de Ingmar Bergman, Murnau e Fritz Lang. «Não percebia nada, mas adorava». [...]
*fotoCP 1- gentilmente cedida._*foto CP2- foto efeneto._ Foto Nuno Cardoso JN

07/07/2007

"Monte Amarelo"

Cada vez mais perto do "VERDE"
"camadas" 6 e 5

"camadas" 5; 4; 3 e 2

"camadas" 4; 3 e 2

"camada" 1 ?
O NOSSO SONHO

04/07/2007

A Saudade mora aqui...

Quem inventou a distância...
Não sabia o quanto dói a saudade...

01/07/2007

Retirada do urânio



Retirada do Urânio das Minas da Urgeiriça

15/06/2007

Post da Semana [IV]


"Vamos à casa do pessoal!?!..." A HISTÓRIA.

por efeneto


A Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça, fundada a 3 de Dezembro de 1951 pela então Companhia Portuguesa de Radium Lda, sendo o grande o grande impulsionador da sua fundação o Sr. Engenheiro James Ramsay, tem como objectivo estatuário o desenvolvimento físico intelectual dos seus associados, que eram todos os trabalhadores da CPR, criando-lhe condições de bem estar e recreação nas áreas Culturais, Sociais, Desportivas e Recreativas.

Cultural

Desde a sua fundação, os sócios dispõem de uma Biblioteca com obras e discos dos mais variados géneros. Funcionou um curso de formação social, na escola primaria para todos os trabalhadores que não sabiam ler e na década de 70 um curso de Inglês.

Cinema

De 1951 a 1992, foram exibidos filmes semanais, de qualidade, em película de 35mm.

Social
Durante vários anos, a Direcção tinha um fundo de assistência social que era concedido por doenças aos trabalhadores e familiares de empregados e operários, devidamente justificados. Apoiava os filhos dos trabalhadores, proporcionando durante 15 dias por ano, férias na Colónia Bissaya Barreto, na Figueira da Foz.
Foi responsável pelo funcionamento do Parque infantil que, com o apoio de uma auxiliar, mantinha o parque aberto das 9 ás 12h 2 das 14 ás 19h, sendo fornecido ao lanche um copo de banacau com quatro bolachas, duas torradas e duas de água e sal a todas as crianças. Durante alguns anos, a Casa do Pessoal teve a seu cargo a exploração da Cantina que servia os associados, de vários géneros de venda a retalho.


Teatro
O grupo de teatro desde 1952 tem levado á cena, no dia 3 de Dezembro, um espectáculo que inclui peças de teatro, récitas, música e teatro de revista. Participou nos ciclos de Teatro do Inatel.

Música
Funcionou uma escola de música; um rancho infantil com várias actuações, uma delas em Lisboa no Laboratório de Energia Nuclear; orfeão dirigido pelo Padre Domingos e um grupo musical “Urânios de Portugal” com muitas actuações.



Desporto
Participou vários anos no campeonato da FNAT depois do 25 de Abril no INATEL, onde foi campeão distrital, disputando várias fases finais a nível Nacional, nas modalidades de Futebol de 11, Andebol, Voleibol, Basquetebol, Ténis de Mesa, Pesca Desportiva e Atletismo (corrida e marcha).
Durante alguns anos com apoio de professores funcionaram classes de ginástica, de manutenção e rítmica.
Desde 1976 a 1991, a Casa de Pessoal organizou o seu grande prémio de marcha atlética que, além de ter sido pioneiro enquanto certame exclusivo de marcha, foi um estímulo para o aparecimento de outras organizações semelhantes em diferentes regiões de Portugal. Foi ao entusiasmo do nosso atleta Carlos Albano, que viria a fazer dele o motos do núcleo de praticantes e a torná-lo figura destacada da modalidade no nosso país, tendo sido membro da selecção nacional até finais da década de 80.



Recreativo
A Casa de Pessoal tem, como seu patrono S. Pedro, tendo na década 50/60 e parte de 70, realizado grandes festejos populares no parque infantil (ainda com frondosos pinheiros).
Realizou também matinés dançantes, com os “Urânios de Portugal” e bailes, sendo mais concorrido o baile de Santa Bárbara, no dia 4 de Dezembro.

"jogos"
São proporcionadas condições para a ocupação de tempos livres na prática de jogos de salão (damas, xadrez e sueca) e na leitura de jornais diários.



Bar
Tudo isto só foi possível devido às subversões da empresa (CPR, JEN e ENU) e à quotização dos seus associados e empenhamento dos mesmos, que tornou possível que se fizesse o campo de futebol, parque de jogos e ampliação da cave, sala de biblioteca, sala de leitura, sala de televisão e bar.



fotos: André Neto e Vera Lúcia

12/06/2007

Relógio Mineiro

Esta Ampulheta era usada pelos mineiros da Urgeiriça para marcar o tempo dos rastilhos e assim contolarem as explosões nas galerias da mina. É formada por uma peça de vidro estrangulada ao centro, tendo no interior areia vermelha. Para proteger o vidro tem uma armação em madeira e tem também uma protecção metálica de duplo cilindro com janela.
O intervalo de tempo que esta Ampulheta conta é de 90 segundos

10/06/2007

Jardim

in 'sol' 9 de Junho de 07

31/05/2007

neo-realismo


Nuvens negras sobrevoam os ceús da Urgeiriça.
Pior que as nuvens é o radão residual que impregna a atmosfera e que vai fazendo caminho pela vida das populações e o sangue dos trabalhadores.
Não é a silicose dos mineiros o que reduz a vida de quem deixou na mina, nas minas de urânio e na unidade de processamento do "bolo amarelo", o seu tempo, o seu trabalho e a sua vida. São os derrivados radioactivos, o césium e o torium, é o gaz inodoro e invisível, o radão, que deixa as suas marcas, que o tempo se encarrega de desenvolver...
Cordas vocais cortadas, tiroides tiradas, e o iodo a colmatar o défice, quando este não atinge o pulmão, o figado ou outro orgão...que levou tantos.
No encontro a pergunta que salta de uns para outros é: -como estás, temendo resposta...
Na Urgeiriça a escombreira é recurso para "construtores civis"... quando a areia não invade a estrada e os miudos nela rebolam.
Tudo aqui lembra o neo-realismo no seu melhor, as estórias, as vidas, a tia Ilda, o vetusto hotel, as casas senhoriais, a cabidela de coelho...Tudo isto existe, tudo isto é triste, há que mudar o fado. [...]
pesquisa de efeneto in http://urgeirica.blogspot.com/

27/05/2007

Urgeiriça - RTP

Para quem não viu a reportagem do canal do estado no passado Sábado:

26/05/2007

Jornal o Diário

Uma colectividade a sério: a casa do pessoal das minas

Duzentos e trinta sócios efectivos e 114 auxiliares (não trabalhadores) formam a Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça, uma colectividade com uma vasta actividade desportiva, recreativa e cultural para ocupação dos tempos livres dos empregados da Empresa Nacional de Urânio

«A Casa do Pessoal da Mina é um elo entre a empresa e os trabalhadores», diz a «o diário» uma direcção recém-empossada, reunida numa sala cujas paredes estão cobertas de vitrinas cheias de troféus. Todos os associados podem aqui recrear-se, participar nas actividades culturais e desportivas».
Com a sua secção cultural, a Casa do Pessoal reparte-se pelo teatro, por uma biblioteca, muito em breve por uma escola de música e pelo cinema.
Num concelho com um cine-teatro que faz alternar o «cunguefú» com o «uesterne» esparguete e as comédias italianas de mau porte com os filmes indianos de mau corte, a apresentação de filmes de qualidade pela Casa do Pessoal da Mina é uma iniciativa que ganha grande relevo no panorama cultural de Nelas.
«Os sócios da Casa pagam 25 escudos e os não sócios 40. Todas as semanas temos um filme diferente, normalmente filmes que acabam de se estrear em Lisboa ou no Porto. Apresentamos aqui fitas muito antes de elas serem exibidas em Viseu. O último filme foi «Uns e os Outros…» Ainda não o viram na sede do distrito, para não falar em Nelas», dizem os directores.

Teatro de Amadores

Enquanto a escola de música em perspectiva não abre, faz-se teatro. A Casa do Pessoal da Mina está em vias de contratar um professor para ensinar os filhos dos seus sócios a tocar alguns instrumentos. Esta ideia faz parte do plano de actividades apresentado pelo clube à gerência da empresa. Esta contribui com uma verba fixa de 20 contos para a manutenção da colectividade.
«Já é insuficiente este dinheiro para a dimensão do clube, cujos sócios pagam uma cota muito baixa. Cada actividade acaba por exceder as receitas e por isso precisamos de contribuição do Inatel e da gerência das Minas», diz a direcção da Casa.
O grupo de teatro da Casa do pessoal da Mina, por exemplo, depende do Inatel para sair do seu estúdio de ensaios na Urgeiriça. Para os próximos tempos, os amadores de teatro vão andar pelo distrito a representar para trabalhadores.
O agrupamento já não é recente. «Existiu, parou, andou de novo e tem funcionado sempre de há dois anos para cá», informa a direcção.«Leva sempre à cena duas peças por ano».
São planos dos directores recém-empossados tentar fazer um espectáculo com todos os velhinhos que passaram, ao longo dos anos pelo teatro das Minas.
Entretanto, a peça a estrear é uma comédia com dois actos de Joaquim José Annaya, «Casamento amargurado», pescada na biblioteca da Casa do Pessoal.
Esta biblioteca tem um grande problema: os livros, muito solicitados pelos sócios, já estão a cair de lidos. «É necessário renovar a biblioteca, adquirir novos títulos, mas os livros estão caros, como sabem», diz-se. Talvez as editoras não se importem de enviar algumas edições de oferta para a Casa do Pessoal das Minas de Urgeiriça. Os livros ali são úteis e não ficam a morrer nas prateleiras…

Dia do Mineiro

Antes de passarem à parte desportiva, ilustrada pelas taças que se alinham nos escaparates da sala de direcção, os directores da Casa sublinham o papel recreativo da colectividade.
«Além do bar temos uma sala de jogo de cartas, uma sala de televisão (a cores), uma sala de pinguepongue e uma sala de leitura, na biblioteca com um jornal diário e um desportivo».
Estas são as actividades permanentes. O bar é muito concorrido por todos aqueles que moram no bairro da Mina. Outras iniciativas regulares dão vida à sede do grupo: «os bailes para sócios e familiares».
«Todos os anos fazemos bailes na Festa de S. Pedro, a 29 de Junho na festa de Sta. Bárbara, a 4 de Dezembro, que é a Festa dos Mineiros, no 1º de Maio, nas Vindimas, no Carnaval, no Ano Novo».
A par destas iniciativas, os trabalhadores das minas nunca deixaram de festejar o 1º de Junho, dia da Criança, celebração que se faz a nível da freguesia de Canas, com entrega de prendas aos miúdos, pinturas e cinema infantil.

Atletismo rei da festa

No campo desportivo a Casa do Pessoal tem o atletismo como rei da festa, mas pratica também a pesca desportiva, o vólei, o andebol, o futebol de salão e de onze, entre outras modalidades.
É sócio do clube o actual vice-campeão de marcha atlética, Carlos Alberto, que já foi detentor do melhor tempo nacional da modalidade. E a marcha atlética é a grande glória desta Casa.
Os melhores marchantes portugueses estarão na Urgeiriça no próximo dia 27 de Março para aí concorrerem ao III Grande Prémio de Marcha Atlética da Urgeiriça, prova integrada no calendário nacional, organizada pelo clube com diversos apoios a patrocínios.
Também organizado pela Casa do Pessoal da Mina temos em Julho (porque o pavilhão é aberto), um torneio de futebol de salão a nível concelhio, sempre muito disputado.
Este torneio seria melhor realizado no polivalente que é o sonho dos mineiros da Urgeiriça:«Está nos planos, claro, mas é inviável para já», diz um director. E outro, com um sorriso «para já? É quase impossível! É algo que custaria muito dinheiro». Fica para o futuro. A Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça está ali para muitos anos, cada vez mais activa.

in Jornal o Diário, 28 de Janeiro de 1983