Canas OnLine
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15/01/2009

Contas Livres

Poderá ser um pouco estranho este título, mas na realidade tem bastante lógica. A Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL) lançou no dia 13 de Janeiro um site totalmente produzido com software livre que não é nada mais nada medos do que um motor de busca ao site da BASE, que é um site governamental que contém informação relativa à formação e execução dos contratos sujeitos ao Código dos Contratos Públicos. Por outras palavras é um site que contém todas as informações sobre contratos feitos por entidades públicas (pelo menos é o que eu penso que é!).
De momento o site ainda não contém todos os contratos indexados, pois, tal como se encontra, foi o trabalho de apenas um dia! E posso garantir que é muito mais fácil pesquisar neste novo site do que no próprio site da BASE.
Por lá já se encontra um contrato para uma obra em Canas que data de 2008-11-13!
Se quiserem ir vendo para onde está a ir o dinheiro que supostamente devia ser investido em Canas basta seguirem este link.
Se quiserem pesquisar outras informações vão ao site inicial http://transparencia-pt.org/, até porque por lá encontram-se despesas engraçadas, como uma fotocopiadora Multifuncional do tipo IRC3080I para a Divisão de Obras Municipais do Município de Beja no valor de 6.572.980,00 €!!!

Mais informações sobre o projecto aqui.

12/01/2009

"Canal 3" aí vai a prova!

foto gentilmente cedida por: amef

"Para não ter que contar toda a história radiofónica canense que, de resto, seria muito extensa para este comentário, queria dizer-lhe que está certo quanto à existência, composição e localização da "original" RAC. No entanto, como co-fundador da saudosa "Mega" (até no nome, ao contrário do que era habitual, se destacava no extenso espectro nacional!!), queria dizer-lhe que, um grupo de pessoas, sabendo da sua existência e de outras experiências anteriores em circuito fechado, isto é, sem emissor, produzindo apenas registos magnéticos, alguns em minha posse, achando a ideia interessante, resolveu dar-lhe alguma expressão, tudo combinado na esplanada da "Galé", no meio de "finos", tremoços, amendoins e alguns camarões, após os jogos de futebol de salão que decorriam naquele verão, nas instalações dos Bombeiros, antes do encerramento da CPFE.

Resolveu-se, então, convidar os animadores e fundadores da original RAC para integrarem o Projecto Mega Rádio. Uma dessas pessoas que referiu não foi convidada e todas as outras aceitaram integrar o projecto. Inicialmente, como disse, instalámo-nos nas águas furtadas do prédio onde vivia o amigo António Brízida Rojão, onde ninguém cabia em pé, e poucos meses depois mudamos para o espaço que hoje é ocupado pelo Jornal Canas de Senhorim. Para que saiba, Helder Ambrósio junta-se ao "staff" nesta fase. O Horácio Peixoto, sempre colaborador e co-fundador, que me lembre, nunca foi lucotor mas colaborava em muitas outras coisas. Já o Antunes (Toninho iu) foi uma peça chave do projecto. Era ele o homem das electrónicas, com capacidade de montar as antenas e o emissor comprados em kit e em ...Madrid. Lembro com admiração alguns carolas que contribuiram financeiramente para tudo isto: Rojão, Figueiredo, Caetano, Ilídio, Brandão, Tó-Zé Lopes e outros, que já não me lembro mas que, concerteza, me desculparão por isso. Quanto às pessoas e à formação da "segunda via" da RAC está certo no que disse mas, queria dizer-lhe que, mais uma vêz, houve carnaval em Canas de Senhorim, fora de tempo, sim, o carnaval não dura só três dias como diz a canção mas, infelizmente, o ano inteiro. Digo-lhe mais, por tudo isto hoje não temos rádio nenhuma (e tanta falta nos fêz, na luta!!) assim como não temos, porque perdemos, outras coisas. Antes de terminar, queria dizer-lhe que o nome adoptado antes da legalização como RAC, foi "Canal 3", lembra-se? Para entender porque é que ficou finalmente com a designação "RAC", tudo teve a ver com a constituição das cooperativas: A Mega Rádio constituiu uma de raíz enquanto que a RAC aproveitou uma já existente, que detinha a também saudosa publicação quinzenal jornal "Tribuna de Canas". Como a antiguidade das cooperativas fazia parte dos critérios de selecção para atribuição de frequências (lei das rádios regionais), a "fusão" Mega-RAC concorreu com a cooperativa da ...RAC. Ah! lembra-se do Pedro Vieira? Foi recrutado por mim para a Mega. Na Mega se formou e depois fez carreira na Rádio...Renascença!!!

Cumprimentos.

P.S.: A sede de concelho também tinha uma rádio. Chamava-se "Rádio Club de Nelas" e não teve arte nem engenho para concorrer à única frequência disponível, mas, Canas tinha de ter duas....!!!!!!?????"

Publicado por Anjodisa em Município de Cannas de Senhorym a 8 Janeiro, 2009 pelas 02:44h

31/12/2008

A Pedido - Saídas do Baú


Pois bem, aqui vai a postagem que mais me têm pedido, espero que se consiga ampliar e que agora sim reconheçam os envolvidos ...
Não sei responder o que aconteceu às rádios em Canas, sei que houve um alvará e que a população contribuiu para um peditório ... mas mais ... ...sinceramente não sei...
Nos capítulos seguintes da história, perdi entretanto o seu desenrolar, já me encontrava a fazer o meu percurso académico, haverá alguém mais habilitado para o fazer, espero que o faça comentando este post!

21/12/2008

Saídas do Baú - Desporto (quase) Escolar

Houve em tempos um homem que está connosco, mas já não está entre nós, que por pura carolice organizava provas de atletismo, costumavam ser no 25 de Abril e também a 1 de Maio... ou noutros feriados. Como as provas eram de manhã, por vezes coincidiam com a missa e o Sr. P.e Domimgos afinava que nem queiram saber...
Como pertencia ao CAT convidava sobretudo filhos dos trabalhadores da CPFE, mas se algum jovem lhe chamasse a atenção pela sua compleição fisica e prestação atlética não o deixava ficar para trás, tinha olho!!
Aqui fica mais um enigma para desvendar, um registo de atletas de Canas de Senhorim que levou para participarem numa prova de Atletismo em Lamego, há ...talvez 34 anos!!
Esse homem chamava-se Albelto Moura mais conhecido como " Bé Moura", aqui fica esta foto em jeito de homenagem.

20/12/2008

"Chorámos agarrados os colegas mortos"


As minhas memórias estão marcadas pelo sangue daqueles que vi combater e tombar em nome da Pátria. E também pela fome e sede constantes por que passei durante dois anos.
Assentei praça e fiz a recruta no Regimento de Infantaria 7, em Leiria. Passados seis meses fui tirar especialidade de atirador de morteiro de calibre 60 mm. Sabia que, mais dia menos dia, ia para a guerra do Ultramar e não me enganei. Em Outubro de 1965 embarquei, contrariado e revoltado, no navio Niassa com destino à Guiné-Bissau. Na viagem, que demorou perto de uma semana, passei muita fome e sede e apercebi-me logo daquilo que me iria acontecer nos dois anos seguintes. Chegámos desidratados.
Os primeiros três dias deviam ser de descanso para a formação da companhia, mas sofremos logo a primeira emboscada: estávamos a atravessar um rio de barco, com destino ao aquartelamento de São Domingos e Varela, e fomos atacados a tiro por uma força inimiga. Quem sabia nadar salvou-se e os outros foram ajudados ou morreram. Foi muito triste ver morrer cinco camaradas de repente e ainda só estávamos há uma semana na Guiné. Quando ficámos a salvo agarrámo-nos todos uns aos outros e chorámos as mortes dos nossos militares.
Uma semanas depois do primeiro massacre, aconteceu o segundo. O meu pelotão estava parado em Biambi e foi atacado pelos guerrilheiros. As nossas casernas eram valas comuns, sem qualquer tipo de defesa. Tivemos mais cinco baixas. O ataque foi muito violento e eu fiquei gravemente ferido num braço. A confusão foi tão grande que o nosso comandante desabafou de uma maneira que nunca mais me saiu da cabeça: 'Em caso de dificuldade extrema guardem pelo menos a última bala para vocês próprios!' Uns meses depois, a minha companhia foi desviada para o quartel de Ancheia, onde parecia estarmos fora da guerra, o que se revelou ser puro engano. Fomos atacados várias vezes pela população, que de dia gostava de nós, mas de noite nos via como inimigos.
Em Junho de 1966 fomos alvo de outro ataque violento. Os inimigos queimaram as pontes dos rios e nós, para fugir, tivemos de passar um deles por cordas, com a G3 e o saco às costas, com cuidado porque havia muitos crocodilos esfomeados. Na altura, valeu--nos a intervenção dos aviões Fiat da Força Aérea. Mas a situação no campo de batalha esteve complicada, porque ao dispararem para o meio do mato denso causaram involuntariamente baixas entre as nossas forças. No regresso ao quartel houve mais confrontos com os inimigos, mas o pior foi fazer 40 km a pé, numa selva pejada de cobras venenosas, passando muita fome e sede.
Por aquela altura fomos, pela primeira vez, à bonita praia de Varela Suzamar, mas mais valia não o termos feito. A água estava contaminada e ficámos com graves problemas de pele. Muitos camaradas estiveram às portas da morte ou ficaram com marcas para sempre. Antes da guerra, aquela praia era muito procurada por turistas portugueses, mas quando lá estivemos as casas de campismo estavam destruídas.
No quartel de Biambi, as condições eram muito precárias: dormíamos em valas comuns e quando decidimos cortar troncos para construir uns barracões mais dignos com a nossa condição de combatentes, mas humanos, os turras não descansaram enquanto não os incendiaram. Num dos confrontos, fomos apanhados desprevenidos e tivemos mais duas baixas; dois camaradas executados a sangue-frio, sem hipóteses de defesa. Por incrível que pareça, o que nos valia muita vezes eram os mosquitos, que não nos deixavam dormir e assim estávamos sempre em alerta. Houve semanas em que não dormi por causa dos insectos mas, sobretudo, por não conseguir esquecer a barbaridade de uma guerra que inundou de sangue a nossa Pátria.
Mas nem só na morte se baseia a minha passagem por África. Durante quase dois anos também conheci, fora da companhia, muita gente boa e passámos bons tempos, com muitas bebedeiras e farras. Eu era dos mais activos. Foi minha a ideia de criar uma conjunto musical – Kassum Kup’ –, com instrumentos de pouca qualidade, mas afinados. Fizemos grande sucesso, sobretudo junto das mulheres. Éramos os artistas da zona, mas muitas vezes só tivemos homens na plateia – as chamadas ‘madames de chicote’. Um dia fomos premiados com a actuação de um artista a sério: o Badaró. Ofereceu-nos um espectáculo memorável.
No entanto, estes divertimentos não bastavam para fazer esquecer a fome, que não nos largava. Uma vez, durante uma operação de patrulhamento, um colega disparou cinco tiros, para matar uma gazela, mas acabou por abater um macaco gigante. Levámos o animal para o quartel, que foi cortado aos bocadinhos e cozinhado. Muitos camaradas estavam, de início, com relutância em comê-lo, mas a fome era tanta que não se podiam dar ao luxo de recusar aquela carne rija. Eu só provei o molho, que até nem estava muito mau.
Em meados de 1967 regressei à Metrópole. Lembro com saudade os bons tempos passados com os camaradas, mas as principais recordações estão pintadas pelo sangue dos militares mortos a defender a Pátria.
'UMA VIDA MUITO COMPLICADA MARCADA POR VÁRIOS COMBATES'
Quando regressou da Guiné-Bissau, José Maria da Cruz foi viver para Canas de Senhorim. Casou, teve três filhos e candidatou-se PSP. Esteve cinco anos a patrulhar as 'complicadas' ruas de Lisboa, mas não descansou enquanto não obteve autorização de transferência para Viseu, o que conseguiu 'com muito custo'. Nesta cidade, esteve ao serviço durante 30 anos, até se reformar. 'Na polícia também vivi situações muito complicadas. É claro que não foi tão difícil como combater na guerra do Ultramar, mas muitas vezes tive de ter sangue frio para resolver algumas situações a bem', refere o ex--combatente, que agora passa os dias a descansar em casa. 'Tive uma vida muito complicada, marcada sempre por muitos combates', recorda José Maria da Cruz.

A Minha Guerra - José Maria da Cruz, Guiné-Bissau

17/12/2008

Saídas do baú

Pode ser que surjam prémios para quem acertar nos retratados e o ano a que respeitam as fotos!
Estamos na fase de angariação de patrocínios, mas já ningém vai na conversa!!!


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GDR Juvenis

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Jogo de Futsal de Final de ano Profs/Alunos

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Jantar de Natal da Mega Rádio, no "Caçoilo"

30/11/2008

Campanha Eleitoral "ad eternum"






Ainda não compreendo bem porque me deixo afectar tanto quando passo pelas coisas ... haverão concerteza inúmeras pessoas que por aqui passam todos os dias e nem se tocam!
Porque será que sinto que a minha casa não começa nem acaba na porta da Rua?
Não sei se pela idade ... mas milhares de memórias associadas a estes lugares assaltam-me em catadupa ...
Por exemplo, quando se esperava e desesperava pela abertura da passagem de nível, se fechada, à espera do rápido ... então negociavámos insistentemente com os nossos pais, para uma breve ida ao chafariz, matar a sede, quando tão somente o que queríamos era esticar as pernas e aliviar a espera ... eles já fartos, lá permitiam a saída do carro ...
Ou, na época que antecedia o Carnaval, ir espreitar o barracão do Sr. Mário Ferreira, numa louca correria de curiosidade infantil, tentando adivinhar os carros de Carnaval que ali se faziam ( do outro lado da rua ) para no dia seguinte, como se de um enorme privilégio se tratasse, poder dizer aos amigos da escola: "eu já vi um carro", às vezes nem a carcaça o era, mas aquele sentir, aquela importância posta nas palavras, como se fosse um assunto de gente grande ... ou se de um segredo de estado se tratasse!
Ou numa manobra muito mais arriscada, nos abeirássemos dos tanques da feira ( que hoje já não existem) onde habitualmente acampavam pessoas de raça cigana ... só pela inocente curiosidade de apreendermos os seus sinais ... apesar do medo que sentíamos!
Quando o campo da feira estava impregnado de "putos" que jogavam à bola, em pleno gozo da sua liberdade de crianças ou jovens, cansados mas felizes, essa liberdade que não ousamos dar hoje aos nossos filhos!
Quando, no chafariz, sucedia uma escorregadela desprevenida, para glaudio dos comparsas ... mas para o próprio e no Verão sabia que era um regalo ... valia qualquer vexame!
E o jogo lá prosseguia, sem equipamento, sem árbitro, nem espectadores mas com um enorme prazer estampado nas suas caras, apenas interrompido "para ver passar o comboio", era sempre um momento alto!
São estas memórias que me assombram, são estas mesmas que me fazem por vezes sofrer, quando me apercebo do estado das coisas que lhe estão associadas.
Muitas vezes (na época em que ainda não havia água canalizada) especialmente no Verão, não havia água a qualquer a hora ... os cântaros formavam uma fila por ordem de chegada ... frequentemente a água não abundava em quantidade suficiente para os encher a todos ... por vezes faziam-se verdadeiras peregrinações, de chafariz em chafariz...
Havia sempre um, que tinha água até mais tarde ....
Como pode estar tudo como está?
Como posso ficar indiferente?
Como posso considerar que tudo está bem?
Só se fosse inconsciente...
Só se fosse insensível...
Só se fosse acrítica ...
Só se não tivesse este sentir...
Só se não vivenciasse estes momentos...
Só se desmemoriasse de vez...
Só se daqui não fosse...
Ou daqui não gostasse...

23/11/2008

Enigma

Caros visitantes do Blog, quereis adivinhar de que trata a foto?

Onde se localiza, em Canas?

E qual foi a sua função?

09/11/2008

Comissão de Benificência e Melhoramentos de Canas de Senhorim




Nunca como agora, em Lisboa, no Porto, ou em outro lugar qualquer, fez tanto sentido ressuscitar este tipo de agremiações face à total inoperância e desleixo dos orgãos de poder local (Ver Artigo supra da Srª Maria Teresa Moural Lopes na Edição 117 do Jornal "Canas de Senhorim").
Os tempos são outros, o espírito é exactamente o mesmo....
Do local da antiga associação, com a fotografia documenta, já nada resta.

21/10/2008

Casa da Raposeira

As coisas boas notam-se mais quando as más são em excesso. No meio das (muitas) coisas más encontrei esta coisa boa renascida do meio do nevoeiro. Ainda estamos à espera do D. Sebastião.. mas esta já renasceu…
Parabéns para quem acredita e faz renascer as coisas boas.



17/10/2008

O Pombal da EB 2,3/S

Cada vez mais recheado.



15/09/2008

Em Germinação

( clic sobre a foto )


A imagem em epígrafe, não tem a pretensão de ser incluída no concurso fotográfico, mas até podia, modéstia à parte!

Trata-se de uma imagem representativa de um elemento " fálico" talvez outrora numa posição invertida, que lançou à terra umas sementezinhas de candeeiro ( Candeeiro eleitoral sp), idênticos aos colocados no Jardim Padre Manuel.

Essas sementes encontram-se em fase de germinação, ainda não romperam o tegumento.
Apesar da espécie ser conhecida desconhece-se contudo, o tempo concreto dessa fase, mas prevê-se que os indivíduos já adultos surjam lá para o fim do Verão de 2009, dois anos após a sua colocação...

Cuidado quando percorrerem os passeios da nossa Pérola Termal, (somente para os que desconhecem a nossa zona, refiro-me às Caldas da Felgueira).

São também aí abundantes, bem como na Avenida da Igreja !?!?

Para os mais incautos os trambolhões apresentam-se como o único perigo mas com consequências imprevisíveis...

Coloco um desafio aos colegas bloguistas, conseguem identificar o local da foto???
Seria até interessante fazer um levantamento do nº de estruturas semelhantes em toda a Freguesia!

23/08/2008

Sábias quadras do poeta popular António Aleixo

  • ANTÓNIO ALEIXO: Poeta 1899 - 1949

    Aleixo compreende o motivo que lhe permite ver sempre ao longe:

    Há tantos burros mandando,
    Em homens de inteligência,
    Que às vezes fico pensando
    Que a burrice é uma ciência!

    Embora os meus olhos sejam,
    Os mais pequenos do Mundo,
    O que importa é que eles vejam
    O que os homens são no fundo.

    Aleixo aponta o dedo às injustiças:

    Co'o mundo pouco te importas,
    porque julgas ver direito.
    Como há-de ver coisas tortas,
    quem só vê o seu proveito?

25/10/2007

Canas - Colheitas 2007



14/10/2007

Bandeira

São fantásticos os sítios onde às vezes encontramos uma bandeira de Canas! Neste fim de semana estive em casa de infância do Fernando Alvim (conhecido apresentador de televisão e de rádio) e para meu espanto encontrei lá uma bandeira de Canas com data de 2003 de quando ele cá esteve nas Bruxas do Paitor! Oferecido pelo nosso colega colaborador AMEF! Ficam aqui as fotos desse espaço!





(clicar para ampliar)

21/09/2007

Dos Montes Hermínios a Canas de Senhorim"


Há coincidências felizes. Um casal amigo adquiriu recentemente um apartamento na Arroja, um bairro nos subúrbios de Lisboa. Levaram-me a jantar a um restaurante que confina com o bloco de apartamentos - O Mirante da Amália.
Conforme o nome indica, o local é desafogado, altaneiro e dele podemos estender o olhar sobre os bairros novos de Odivelas. Tem um enquadramento bonito, se atendermos à construção desenfreada que impera lá em baixo, isto porque se situa num complexo desportivo, composto por um campo polivalente, um court de ténis, um passeio pedestre envolvente e um relvado bem tratado. Lá longe, no horizonte, bem acima da cidade de Odivelas destaca-se a serra da Luz, do outro lado da serra adivinha-se Lisboa. O local é calmo e o restaurante aproveita toda esta amplitude através das grandes vidraças da sala. Cá fora, a esplanada é convidativa.
O Mirante da Amália é deliciosamente familiar: o pai, funcional, ao balcão, a mãe na cozinha, verdadeira diva gastronómica, e as duas filhas, simpáticas e solícitas, às mesas, conferem-lhe um ambiente acolhedor e um serviço irrepreensível. A decoração é sinónimo de bom gosto, mas o mais importante, a comida, essa é uma autêntica obra de arte. Os pratos são um convite à contemplação. Têm uma apresentação cuidada, artística, um aspecto suculento, de tal forma que dou comigo, enquanto aguardo a minha vez, indecorosamente a cobiçar as refeições vizinhas. Depois vem o sabor, delicioso a todos os níveis, desde as simples batatas ao elaborado esparregado, desde o cabrito assado ao arroz solto, um festim aos sentidos.


Nesta fase da leitura é natural que vocês se questionem: mas afinal o que é que isto tem a ver com Canas de Senhorim? Já vos explico: este restaurante passou a ser uma referência para mim, de tal forma que passei a frequentá-lo com alguma assiduidade. Depois de ter experimentado diversas iguarias comecei a identificar uma familiaridade suspeita nos sabores, um toque inegavelmente beirão nos cozinhados. Não resisti, perguntei a uma das filhas de onde eram os pais. De uma aldeiazinha perto de Seia, respondeu. Pronto, exclamei eu, está encontrada a razão da minha suspeita, é que eu sou de Canas de Senhorim, que é relativamente perto, e o sabor dos cozinhados da mãe fizeram-me desconfiar, conhece Canas de Senhorim? - não, quando vamos à terra ficamos sempre por lá, não saímos muito, mas o meu pai deve conhecer.
A conversa ficou por ali e eu, satisfeito com a minha perspicácia para os sabores, voltei a atenção para o Cozido à Portuguesa, agora comprovadamente beirão. Passados alguns minutos fui delicadamente interrompido pelo pai, o Sr. Victor, que me pergunta se efectivamente eu sou de Canas. Eu respondo que sim, que sou, e ele entusiasmado surpreende-me desta forma: eu já trabalhei em Canas, e eu precipitado, nos Fornos, na Urgeiriça, não, diz ele, no Café Rossio.
O resto da história é contada pela voz comovida do Sr. Victor Silva, que pela noite fora foi desfiando as suas memórias e me autorizou a publicar o seu relato.

******

Sou de Sameice, uma aldeia lá no meio da serra, perto de Seia. Éramos onze irmãos e as dificuldades próprias da altura cedo me obrigaram a ser homenzinho. Por temperamento ou carácter era uma criança responsável, tanto que era frequentemente requisitado lá na aldeia para fazer pequenos serviços, como por exemplo entregar os fatos do alfaiate aos fregueses, isto com oito, nove anos. Fosse outro e o fato chegaria em lindo estado ao destino (risos). Ainda me lembro dos medos que me assaltavam quando tinha que fazer os caminhos da serra, no escuro da noite. Com as gorjetas dos clientes do alfaiate comprava um maço de Kentuckys e fumava os cigarros todos de seguida, não porque gostasse de fumar mas porque tinha ouvido aos mais velhos que os lobos temiam o lume e como tal não atacavam (risos).
Como sabe, nessa altura, estamos a falar por volta de 1972, tudo se sabia, os “informadores” tratavam de manter a rede de informações bem actualizada, para o necessário e o desnecessário, para o bem e para o mal, de maneira que quando o Sr. António João precisou de um rapaz para o café o meu nome foi-lhe recomendado. Nessa altura já trabalhava, comecei aos dez anos, no restaurante Mira Neve em Pinhanços. Como era certinho fui contactado pelo Pedro, o empregado do Café Rossio, não o jogador de futebol, o outro, para ir trabalhar para Canas de Senhorim, tinha então doze anos.
Fiquei a morar na casa do Sr. António João e não tenho uma única razão de queixa dele, tratou-me como um filho, afectuoso e protector, para além disso depositava total confiança em mim, tanto que cheguei a ser eu sozinho a abrir o café. Lembro-me do Zé Tó, o filho, que era da minha idade, criámos amizade e dei-me muito bem com ele, mesmo quando tentava culpar-me das traquinices que fazia. Uma vez foi fumar para a casa de banho e esqueceu-se lá do maço de tabaco, um Sagres, claro que as culpas recaíram sobre mim, a D. Natália assim o pensou, mas o Sr. António João não se deixou enganar, chamou-me à parte e disse-me para não me preocupar pois sabia que não tinha sido eu. Era uma pessoa espectacular e não me pagava mal, atendendo à minha idade. Ganhava 750$00 por mês.
As gentes da serra chamavam ao cruzamento do Café Rossio a “cruz”, dali podíamos derivar para Viseu, Mangualde ou Coimbra. Era, para um rapaz vindo do monte, como eu, o centro do mundo. Recordo muito bem, para além do café e dos senhores distintos que o frequentavam, uma casa paredes meias com o estabelecimento, com umas longas escadas em pedra, propriedade de um senhor do qual não me lembro o nome mas que tinha duas filhas de fazer parar o trânsito (risos) e a ourivesaria do Sr. Pereirinha, mesmo em frente, por sinal também ele pai de uma menina muito bonita.
Ia a casa uma vez por mês, porém as saudades e o facto de me sentir muito desamparado, afinal eu só tinha doze anitos, levaram que ao fim de seis meses me viesse embora. Expliquei ao Sr. António João as minhas razões e ele, compreensivo, fez as contas, pagou-me tudo e levou-me à camioneta. Despediu-se emocionado e ainda me deu 50$00 extra.
Segui a minha vida, e muito mais tarde, quando voltei a Canas para reviver o passado deparei-me com um banco no sítio do café e a triste notícia que o Sr. António João tinha falecido. Nunca mais lá voltei e agora que me diz que este mês vão homenagear o Sr. António João fico a pensar se não deveria voltar a Canas de Senhorim.

******

O Sr. Victor e a esposa, D. Amália

Fiquei embevecido com o relato do Sr. Victor, imaginando a criança vinda dos Montes Hermínios a desbravar veredas sob a protecção dos Kentucky, e apreciando agora, no recato do Mirante da Amália, a harmonia da sua família que, como diria o mestre Aquilino, serve pratos tão prazenteiros aos olhos como saborosos ao paladar.

23/07/2007

canção lúdica

Retirado do livro "A música tradicional na obra de José Afonso" de Mário Correia(Poderão fazer a descarga deste livro na secção "discografia e letras" do sítio da AJA.)

CANÇÃO LONGE

Canção tradicional açoriana que começou por receber arranjo da autoria de António Portugal para uma interpretação de Luis Goes. José Afonso alterou os dois primeiros versos da segunda quadra (Quando o meu amor se foi/ Sete lenços alaguei..) e procedeu à introdução da terceira quadra.


CANTA CAMARADA CANTA
Segundo Fernando Lopes-Graça, esta canção lúdica foi recolhida em Canas de Senhorim, na Beira Alta, com o título Vira-te pr'aqui ó Rosa, com uma só estrofe:


Vira-te pr'aqui, ó Rosa
Ó cravo já 'stou virado
É o brio dos rapazes
Usar o chapéu de lado

Ainda segundo Lopes-Graça: É um dos exemplares do nosso folclore em que a letra se nos afigura bem inferior à melodia. Na nossa versão à capella, que faz parte do repertório do Coro da Academia de Amadores de Música, substituímos a insípida letra original por quadras populares, que nos parecem corresponder mais cabalmente ao tónus heróico da melodia. José Afonso adoptou justamente esse texto, introduzindo-lhe apenas ligeiras alterações.

http://vejambem.blogspot.com/2007/07/novidades-no-verso-dos-versos.html

19/07/2007

“Zumzum”

Numa altura em que há um “zumzum” para o encerramento da Casa de Pessoal das Minas da Urgeiriça, gostaria de partilhar com os amigos este pequeno excerto que encontrei, pode ser que alguém se recorde e que sirva de alerta para não acabar com esta “CASA” onde muita boa gente entrou e continua a entrar. Serve para recordar e alertar.
Nuno Cardoso
Arriscar em palco
Por Francisca Cunha Rêgo
Jornal de Letras.
[...] Toma nota o tempo todo. Na sua mão comprida, muito magra, a caneta está em riste e agita-se ao ritmo da fala dos actores que ensaiam no palco. De repente pára, acende um cigarro e recomeça a escrita. Sentado na parte de trás do armazém, entre o monte de roupas, casacos e mochilas que ali encontraram poiso, observa fixamente a cena e às vezes parece estar a dizer o texto para si. Mas talvez seja só uma impressão. Dissipa-se enquanto Nuno Cardoso acende mais um cigarro.
Encenar Ricardo II era um projecto antigo. Texto retórico, «invulgarmente lírico», extenso, apresentava-se-lhe como «uma batalha muito difícil» mas, como afirma, convicto, «uma pessoa define-se pelas suas batalhas». Interessou-lhe reflectir sobre os meandros do poder e da identidade que para o actor e encenador são sempre os mesmos, repetindo-se, independentemente do sistema político ou da época em que se situam. Assim, as figuras do Rei Ricardo e a do nobre Bullingbrook, cativaram-no e pareceram ligar-se ao seu percurso.
As peças que escolhe transportam-no e ajudam-no a perceber a sua própria vida, os seus motivos. De repente há um ‘clique’ com determinado texto que vem clarificar como se sente face ao mundo. É que, para Nuno Cardoso, a prática teatral é a sua Educação. Não só porque não tem qualquer curso de teatro, mas fundamentalmente porque o teatro é a sua educação como homem: «Nesse sentido, é um solilóquio». Desse diálogo consigo próprio têm surgido, ao longo dos anos, muitas peças, muitas conversas. Até porque, como diz, «o papel do teatro é falar. A voz pode ser estranha, umas vezes roufenha, outras mais lírica, mas fala para quem quiser ouvir». E o melhor é falar bem. «Para ver se alguém nos ouve», diz a sorrir. Já o que quer dizer, prefere não revelar: «É melhor deixar que o público entenda por si
Nuno Cardoso percebeu logo o chamamento do Teatro. Andava a estudar Direito na Universidade de Coimbra. Estudar talvez seja uma força de expressão, pois acabou por não ir a muitas aulas. Nascido em 1970, numa terra pequena, Canas de Senhorim, os pais – que nunca tinham tido acesso à Universidade – sonhavam com a licenciatura do filho. Nuno tinha lido In Illo Tempore, de Trindade Coelho, e Direito não lhe parecera uma escolha, mas antes um «destino». Não correu bem esse fado, «havia muitos concertos para assistir, muitos livros para ler e, sobretudo, muitos filmes para ver.»

Os filmes, de facto, entraram muito cedo na sua vida. Confessa-se um «fanático por cinema.» E não é esquisito: vê tudo o que lhe aparece à frente, do mais básico blockbuster ao mais experimental dos realizadores. Aos sete anos, ia com o pai, todas as sextas-feiras, para a Casa de Pessoal dos Mineiros das Minas da Urgeiriça onde viu todos os filmes de Sérgio Leone e, entre outros, todos os ‘western spaghetti’. Nunca foi criança que precisasse muito de dormir e o pai deixava-o ficar a ver na televisão a Lotação Esgotada, e a Sessão da Noite, à terça-feira. Assim, entre os 10 e os 13 anos, viu todos os filmes de John Ford, ciclos de Ingmar Bergman, Murnau e Fritz Lang. «Não percebia nada, mas adorava». [...]
*fotoCP 1- gentilmente cedida._*foto CP2- foto efeneto._ Foto Nuno Cardoso JN

08/02/2007

O Burro Prim |II|

A história do burro Prim...

Esta é uma história verídica que correu Mundo, nos anos sessenta do século passado…
Dela fez eco o DIÁRIO DE COIMBRA nº. 10722, de 11 de Março de 1962, pela pena do seu Correspondente em Canas de Senhorim, Dr. Abílio Monteiro.
Mas… leiamos o que se escreveu naquele Diário…

“Falámos aqui, ultimamente, de uma burra que se dá ao luxo de comer as galinhas e frangos que lhe passam perto, originando ao dono muito sérios problemas. Hoje vamos apresentar um caso não menos curioso, em que entra um animal da mesma espécie, este do sexo masculino, que foi atacado pelo vício do vinho, e não é capaz de trabalhar sem que lho satisfaçam.
Utilizemos, porém, os dados que nos são remetidos pelo nosso correspondente em Canas de Senhorim. Há ali um burro, pertencente a um senhor chamado Plácido, ao qual, não se sabe bem porquê, puseram o nome de «Prim». O animal presta os seus serviços no transporte de carnes do Matadouro para os talhos do mesmo Mercado daquela vila, e o dono utiliza-o também para aluguer, no que vai ganhando para sustentar o burro.
Sucede, no entanto, que quando ambos se dirigem à vila, partindo do bairro do Casal, onde moram dono e burro, ao passarem à porta da taberna do sr. Abílio Máximo da Silva têm de fazer obrigatoriamente uma paragem, porque, não o fazendo, o jerico se recusa terminantemente a prosseguir na jornada, não havendo palavras persuasivas ou chibatadas violentas que o demovam do intento. É que ele exige que o dono lhe forneça uma boa ração de vinho, pois se assim não for resolve não dar mais um passo, e não o dá, mesmo! E não pensem os senhores que o «Prim» se contenta com qualquer zurrapa. Isso sim! Há tempos misturaram-lhe água na bebida, e ele rejeitou-a, pura e simplesmente, como bom apreciador cujo paladar dá logo pelo logro. Rejeitou-a e ferrou no dono uma parelha de coices para lhe provar que, apesar de burro, ninguém lhe come as papas na cabeça!
Sucede, algumas vezes, que o sr. Plácido não traz dinheiro para pagar o vinho ao burro. Bem se importa ele com isso! Finca as patas no terreno e chega a levar o atrevimento até ao ponto de, com os dentes, agarrar o bolso do colete do dono, como a querer demonstrar-lhe que ali existem sempre algumas reservas monetárias. Mas – alto lá! – Depois de satisfeito o vício, o burro fica outro, parece ganhar novas energias, e trabalha que é um gosto vê-lo!
Muitas vezes o sr. Plácido, querendo furtar-se à despesa, tem de ir dar longa volta pelo lugar do Paço, evitando a taberna. Porque se passa junto dela, é certo e sabido que esportula o dinheiro do vinho, pois o burro não lhe perdoa, nem arreda da porta sem satisfazer o vício. Tem sucedido até que, quando aquela se encontra fechada, o dono do «Prim» tem sido forçado a chamar o taberneiro, pois de contrário, nem por um decreto o burro arrancaria!
Há mais uma particularidade curiosa no temperamento deste animal. É a da sua dedicação por uma cadela chamada «Pepa», pertencente ao sr. Dr. Madeira Lobo, da vila de Canas, e pela qual o endiabrado «Prim» se parece ter apaixonado! De cada vez que ele pára a cadela aparece e «conversam» os dois animadamente, numa linguagem que só eles compreendem, mas que chega ao extremo da cadela lhe dizer segredos ao ouvido, como se vê na expressiva gravura que acompanha estas linhas.
Outra gravura mostra-nos o burro, pela arreata, com uma coroa de flores ao pescoço, como se tivesse chegado das ilhas do Haway, preparado para a «cerimónia» da fotografia.

Burro de seiscentos milhões de diabos, tem sido alvo do interesse de toda a gente, figurando entre as curiosidades mais singulares da vila de Canas de Senhorim. E a verdade é que não fica por aqui o seu rosário de «aventuras». Ainda no último Carnaval se tomou de amores pela burrinha branca de um vizinho, sendo preciso chamá-lo à ordem severamente, para que não fosse provocado o escândalo público na pacata localidade.

Tudo isto, repetimos, nos é contado pelo nosso solícito correspondente em Canas de Senhorim, onde várias coisas estranhas estão já a acontecer, em competição acesa com aquelas que se verificam no Entroncamento…” (sic)
Trabalho de Amef

06/02/2007

O Burro Prim

Em breve...
foto enviada por Amef